A Nintendo realizou uma atualização silenciosa em sua cronologia oficial da franquia The Legend of Zelda, provocando novas discussões entre os fãs sobre a complexa história da série. A alteração, que surge em meio à expectativa pelo remake de Ocarina of Time, parece validar uma teoria popular que circula desde o lançamento de Tears of the Kingdom: a possibilidade de existirem duas versões distintas de Hyrule ao longo da linha do tempo.
Historicamente, a cronologia oficial da saga se ramifica em três caminhos distintos após os eventos de Ocarina of Time, convergindo eventualmente para um estado de mito. Com a chegada de Breath of the Wild, a narrativa apresentou um reino em ruínas, levantando dúvidas sobre sua conexão direta com os títulos anteriores. A recente atualização no portal japonês da Nintendo adicionou uma entrada específica para a fundação de Hyrule, posicionada logo antes dos eventos retratados nos flashbacks de Tears of the Kingdom, separando-a da fundação original estabelecida no início da cronologia.
A teoria da refundação e o impacto visual no remake
A inclusão dessa nova entrada é interpretada por especialistas como uma confirmação oficial da teoria da refundação. Isso sugere que o reino explorado nos títulos mais recentes do Nintendo Switch pode ser uma entidade geograficamente e historicamente desconectada daquela vista nos jogos clássicos. A distinção cria um cenário onde o mundo de Hyrule não é apenas um local, mas um conceito que se repete em diferentes eras.
O cenário torna-se ainda mais intrigante com a análise visual do aguardado remake de Ocarina of Time. Observadores notaram a presença de elementos estéticos que remetem diretamente à era de Breath of the Wild, como tatuagens nos personagens Kokiri que espelham marcas da Rainha Sonia e padrões Sheikah atualizados. Essas inserções visuais levantam questões sobre se o remake está sendo ajustado para se alinhar à linguagem visual dos jogos modernos ou se há uma intenção narrativa de unificar as eras.
A importância da cronologia para a Nintendo
Embora a empresa mantenha um registro oficial desde 2003, a relevância desse documento sempre foi tratada com cautela por figuras centrais como Shigeru Miyamoto. Para o lendário desenvolvedor, a rigidez de uma linha do tempo linear nunca foi a prioridade máxima no desenvolvimento dos jogos. A flexibilidade permite que a equipe criativa priorize a experiência de jogo e a inovação em vez de se prender estritamente a um cânone imutável.
Desde que a cronologia foi tornada pública em 2011, a Nintendo tem atualizado o registro a cada novo lançamento, mantendo um equilíbrio entre fornecer orientações oficiais e permitir que a comunidade desenvolva suas próprias interpretações. Para muitos entusiastas, essa abertura é o que mantém a franquia viva, transformando a busca por respostas em um exercício de criatividade que, muitas vezes, supera as explicações definitivas oferecidas pelos próprios desenvolvedores.










