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Entretendo o Universo

Executivo da Microsoft alerta que IA pode destruir a economia da internet

Documentos revelam que executivo da Microsoft previu que a IA pode destruir a economia da internet ao drenar o tráfego de sites de notícias.
Executivo da Microsoft alerta que IA pode destruir a economia da internet

Documentos judiciais recém-revelados no processo movido pelo The New York Times contra a OpenAI e a Microsoft trouxeram à tona preocupações internas graves sobre o impacto da inteligência artificial no ecossistema digital. Em registros que datam de dezembro de 2023, altos executivos das empresas discutiram como a tecnologia de IA pode estar criando um ciclo autodestrutivo para a própria web.

O alerta sobre o ciclo de destruição da inteligência artificial

Brent Hecht, diretor de ciência aplicada da Microsoft, descreveu em uma apresentação interna o fenômeno como um “doom loop”, ou ciclo de destruição. Segundo o executivo, o motor de respostas do Copilot ameaça simultaneamente o desempenho dos modelos de IA e a viabilidade econômica de toda a internet.

A preocupação central reside no fato de que a IA utiliza o trabalho intelectual alheio para alimentar seus sistemas, ao mesmo tempo que reduz drasticamente o tráfego para as fontes originais. Hecht classificou essa prática, em um memorando de janeiro de 2023, como “o maior roubo de trabalho da história da humanidade”.

Impacto direto no tráfego de grandes veículos de mídia

Dados internos da Microsoft indicam uma queda acentuada nas taxas de cliques para sites de notícias quando os usuários utilizam as ferramentas de busca com IA. Para o The New York Times, a redução no tráfego foi estimada entre 87% e 93% em comparação com as buscas tradicionais no Bing.

O cenário é semelhante para outros grupos de mídia, como a Ziff Davis, proprietária de veículos como Eurogamer e IGN. Nesses domínios, a queda nas taxas de cliques variou entre 51% e 94%, evidenciando como a integração de respostas automáticas pode esvaziar a base de leitores dos produtores de conteúdo essenciais.

Controvérsias sobre a coleta de dados e o uso de paywalls

A disputa judicial também expôs práticas questionáveis dentro da OpenAI. Documentos internos revelam que um pesquisador da empresa, Nick Ryder, discutiu com o presidente Greg Brockman sobre a criação de um método para contornar o paywall do The New York Times, visando facilitar a coleta de dados para treinamento de modelos.

A defesa das empresas tem se baseado no conceito de uso aceitável, ou fair use, argumento que está sendo contestado nos tribunais. Em depoimento prestado este ano, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou sob juramento que, se soubesse que a OpenAI estava utilizando informações protegidas por paywall para treinar seus sistemas, teria exigido o retreinamento dos modelos.

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