Dentro do USS Arleigh Burke: Anatomia do Destroyer Mais Versátil do Mundo
Quando o USS Arleigh Burke entrou em serviço em 1991, a Marinha dos Estados Unidos apresentou um contratorpedeiro que mudaria o padrão da guerra naval moderna. Equipado com o sistema Aegis e dezenas de células de lançamento de mísseis, o navio rapidamente se tornou a base da frota americana, posição que a classe mantém até hoje, com mais de 70 unidades em operação.

O Guardião dos Oceanos na Era Pós-Guerra Fria
O USS Arleigh Burke nasceu em um momento crítico. No final dos anos 1980, a Marinha americana enfrentava um dilema: os cruzadores classe Ticonderoga eram poderosos demais e caros demais para produzir em massa. A União Soviética desenvolvia mísseis antinavio cada vez mais letais, e a ameaça de saturação de alvos aéreos exigia respostas rápidas e precisas.
A solução veio na forma de um contratorpedeiro menor que o Ticonderoga, mas igualmente capaz. Batizado em homenagem ao almirante Arleigh Burke, um dos mais respeitados estrategistas navais americanos, o DDG-51 combinaria o revolucionário sistema de combate Aegis com um casco modular e adaptável.
Hoje, a classe Arleigh Burke é a força de superfície mais numerosa e versátil da US Navy. Do Mar Vermelho ao Pacífico Ocidental, esses destroyers executam missões que vão desde defesa antimíssil balístico até ataques de precisão com mísseis de cruzeiro. E com as variantes Flight III chegando equipadas com radares de última geração, esses navios continuarão dominantes por décadas.

Multimissão por Natureza
O Arleigh Burke é classificado como um contratorpedeiro lançador de mísseis guiados (guided-missile destroyer). Mas reduzir esse navio a uma categoria é subestimá-lo completamente.
Sua função principal é defesa antiaérea de área. Ele foi projetado para formar um escudo protetor ao redor de grupos de porta-aviões, interceptando caças inimigos, mísseis de cruzeiro e até mísseis balísticos antes que representem ameaça real.
Mas esse destroyer também caça submarinos com sofisticados sistemas de sonar. Ataca alvos terrestres com mísseis Tomahawk. Engaja navios de superfície com mísseis antinavio. E, nas versões mais recentes, até defende contra mísseis balísticos intercontinentais.
No campo de batalha moderno, o Arleigh Burke é o canivete suíço naval. Um único navio pode executar operações que, décadas atrás, exigiriam uma frota inteira.
Desenvolvimento e História: Nascido para Substituir uma Geração
O projeto começou oficialmente em 1980, mas as sementes foram plantadas anos antes. A Marinha precisava substituir os antigos contratorpedeiros classe Charles F. Adams, que estavam ficando obsoletos rapidamente.
A Bath Iron Works, da General Dynamics, venceu o contrato em 1985 por US$ 321,9 milhões. O primeiro navio, o DDG-51, teve sua quilha batida em dezembro de 1988. Foi lançado em setembro de 1989 e comissionado em 4 de julho de 1991, justamente no Dia da Independência americana.
Mas a classe não parou por aí. A Marinha dividiu a produção em “Flights”, blocos evolutivos que permitiam melhorias sem redesenhar o casco:
Flight I (DDG 51-71): A versão original, sem hangar para helicópteros, focada em defesa aérea.
Flight II (DDG 72-78): Trouxe melhorias em sensores e comunicação, incluindo o Link 16.
Flight IIA (DDG 79-124): Adicionou hangares duplos para helicópteros, aumentou o comprimento do navio e expandiu o VLS para 96 células.
Flight III (DDG 125 em diante): A revolução. Novo radar AN/SPY-6, capacidade aprimorada de defesa antimíssil balístico e geração de energia triplicada para acomodar armas laser.
Essa evolução modular é o segredo da longevidade da classe. Enquanto outros navios ficaram obsoletos, o Arleigh Burke continua se adaptando.
Design e Construção: Furtividade e Sobrevivência em Aço
Olhe para um Arleigh Burke e você verá um navio diferente. Não há torres cilíndricas. Não há antenas expostas desnecessariamente. Cada superfície é angulada.
Esse foi o primeiro destroyer americano projetado desde o início com redução de assinatura radar em mente. As superfícies inclinadas dispersam ondas de radar, dificultando a detecção. O mastro principal é inclinado para frente. Até as âncoras ficam embutidas.
Mas a verdadeira inovação está no que você não vê.
A Marinha abandonou o alumínio usado em classes anteriores. Depois do desastre com o HMS Sheffield nas Malvinas, onde um míssil Exocet transformou a superestrutura de alumínio em uma fornalha, a decisão foi clara: aço em tudo.
Mais de 130 toneladas de blindagem Kevlar protegem áreas vitais: o Centro de Informação de Combate, as salas de máquinas, os paióis de munição. Sistemas críticos são duplicados e fisicamente separados. Um ataque que inutilize a proa não necessariamente compromete a popa.
O navio também possui proteção NBQ (Nuclear, Biológica e Química). Em caso de ataque com armas não convencionais, compartimentos são pressurizados e filtrados, criando uma cidadela segura.

Arsenal para Qualquer Ameaça
O coração ofensivo do Arleigh Burke é o sistema Mk 41 VLS (Vertical Launch System). Imagine 90 ou 96 silos verticais, cada um capaz de lançar diferentes tipos de mísseis. Não há necessidade de girar torres ou posicionar lançadores. O sistema identifica a ameaça e dispara em segundos.
O que vive dentro desses silos:
Mísseis antiaéreos:
- RIM-66/67 Standard Missile 2 (SM-2): O cavalo de batalha, alcance de 170 km
- RIM-174 Standard Missile 6 (SM-6): Versão moderna, alcance superior a 240 km, pode atacar alvos terrestres
- RIM-161 Standard Missile 3 (SM-3): O interceptor exoatmosférico, derruba mísseis balísticos no espaço
- RIM-162 ESSM: Defesa de ponto, quatro mísseis em uma única célula
Ataque terrestre:
- BGM-109 Tomahawk: O lendário míssil de cruzeiro, alcance superior a 1.600 km, precisão cirúrgica
Guerra antissubmarino:
- RUM-139 VL-ASROC: Torpedo lançado verticalmente, alcance de 22 km
Defesa de ponto:
- 1x canhão Mk 45 de 127mm: Para alvos de superfície e bombardeio costeiro
- 1-2x Phalanx CIWS: O “guardião final”, dispara 4.500 projéteis por minuto contra mísseis que vazaram todas as outras defesas
- Em alguns navios, o SeaRAM substitui um Phalanx, combinando o montante giratório com mísseis RAM
Torpedos:
- 2x tubos triplos Mk 32 para torpedos leves Mk 54
E o futuro? Testes com o laser HELIOS já começaram. Um canhão de energia direcionada para derrubar drones e pequenas embarcações sem gastar um único míssil.
Tecnologia e Sistemas: O Cérebro Aegis
Se o VLS é o punho do Arleigh Burke, o sistema de combate Aegis é o cérebro.
Desenvolvido pela Lockheed Martin, o Aegis integra radares, sensores, armas e comunicações em um único ecossistema de combate. Ele pode rastrear mais de 300 alvos simultaneamente e engajar dezenas ao mesmo tempo.
Radares que Enxergam Tudo:
AN/SPY-1D (Flights I, II e IIA): Radar de varredura eletrônica passiva, quatro faces fixas cobrindo 360 graus. Alcance superior a 300 km.
AN/SPY-6(V)1 (Flight III): A evolução. Radar de varredura eletrônica ativa (AESA), 30 vezes mais sensível que o SPY-1D. Consegue detectar mísseis hipersônicos e alvos furtivos.
AN/SPQ-9B: Radar de superfície de alta resolução, identifica pequenas embarcações e mísseis “sea-skimming” (que voam rente à água).
Olhos Subaquáticos:
AN/SQS-53C: Sonar de casco, varredura ativa e passiva.
Towed Array (AN/SQR-19): Cabo de sonar rebocado, detecta submarinos a grandes distâncias.
Guerra Eletrônica:
AN/SLQ-32(V)3/6/7: Sistema de guerra eletrônica que detecta emissões inimigas, identifica ameaças e, nas versões mais recentes, executa jamming ativo para cegar radares adversários.
SEWIP Block III: O futuro da guerra eletrônica. Ataque não cinético contra sistemas inimigos.
Conectividade Total:
Link 16: Rede de dados tática. O Arleigh Burke compartilha informações em tempo real com aviões, outros navios e sistemas terrestres.
CEC (Cooperative Engagement Capability): O verdadeiro diferencial. Um navio pode disparar mísseis em alvos detectados por outro navio ou aeronave a centenas de quilômetros. O Aegis cria uma “mente coletiva” entre plataformas.

Velocidade e Autonomia para Qualquer Oceano
Números frios podem enganar. Mas entenda o que eles significam e você compreende por que esse destroyer domina.
Propulsão: 4 turbinas a gás General Electric LM2500, entregando 100.000 cavalos de potência.
Velocidade máxima: Oficialmente “superior a 30 nós”. Na prática, 32-33 nós (~61 km/h).
Por que isso importa? Porta-aviões nucleares navegam a 30 nós. O Arleigh Burke foi feito para acompanhar o ritmo. Onde o porta-aviões vai, o destroyer vai junto.
Autonomia: 4.400 milhas náuticas a 20 nós (~8.100 km).
Isso permite travessias oceânicas sem reabastecimento constante. Um navio pode sair de Norfolk, cruzar o Atlântico e operar no Mediterrâneo sem precisar de navio-tanque.
Deslocamento: 8.300 toneladas padrão, até 9.700 toneladas totalmente carregado.
Não é pequeno. Mas também não é um cruzador. É o equilíbrio perfeito entre capacidade de combate e custo operacional.
A limitação? Consumo de combustível. Turbinas a gás são sedentas em alta velocidade. Operações prolongadas em zona de conflito exigem reabastecimento frequente.
Ficha Técnica
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| País de Origem | Estados Unidos |
| Fabricantes | Bath Iron Works, Huntington Ingalls Industries |
| Deslocamento | 8.300 t (padrão) / 9.700 t (plena carga) |
| Comprimento | 153,9 m (Flight I/II) / 155,3 m (Flight IIA/III) |
| Propulsão | 4x turbinas GE LM2500 (100.000 shp) |
| Velocidade | +30 nós (~56 km/h) |
| Autonomia | 4.400 milhas náuticas a 20 nós |
| Tripulação | ~300 marinheiros |
| Armamento VLS | 90-96 células Mk 41 |
| Radares Principais | AN/SPY-1D ou AN/SPY-6(V)1 |
| Ano de Introdução | 1991 |
| Status | Ativo, em produção contínua |
Vantagens e Pontos Fortes: Por Que Ele Domina
1. Versatilidade Total
Um Arleigh Burke sozinho executa missões que antes exigiam três navios diferentes. Defesa aérea, caça a submarinos, ataque terrestre, tudo no mesmo casco.
2. Sistema Aegis
Nenhum outro sistema de combate naval iguala o Aegis em capacidade de rastreamento e engajamento múltiplo. É a diferença entre jogar xadrez e jogar damas.
3. Escalabilidade da Frota
Mais de 70 navios ativos criam uma massa crítica. A Marinha pode destacar Arleigh Burkes para qualquer crise, em qualquer oceano, sem comprometer a prontidão global.
4. Modernização Contínua
O design modular permite upgrades sem aposentar o navio. Um DDG-51 original de 1991 pode receber sistemas que nem existiam quando foi construído.
5. Sobrevivência em Combate
Construção em aço, compartimentação robusta, sistemas redundantes. Esse navio foi feito para levar pancada e continuar lutando.
6. Defesa Antimíssil Balístico
Poucos navios no mundo podem interceptar mísseis balísticos. O Arleigh Burke, equipado com SM-3, é um dos poucos escudos móveis contra essa ameaça.
Limitações e Críticas: Nada É Perfeito
Custo Astronômico
Um Flight III custa mais de US$ 2,2 bilhões. E isso é só o preço inicial. Manutenção, tripulação, combustível, munição… a conta só aumenta.
Consumo de Combustível
Turbinas a gás são rápidas, mas famintas. Operações estendidas exigem reabastecimento frequente, criando dependência logística.
Margem de Crescimento Esgotada
Os Flights III estão no limite físico do casco. Geração elétrica, refrigeração, peso… não há mais espaço para crescer sem redesenhar tudo.
Falta de Hangar nos Primeiros Modelos
Flights I e II possuem apenas plataforma de pouso. Sem hangar, helicópteros não podem ser mantidos a bordo permanentemente, limitando capacidade antissubmarino.
Complexidade Operacional
Operar um Arleigh Burke exige tripulação altamente treinada. Manutenção de sistemas Aegis, radares phased-array, turbinas a gás… tudo demanda especialização.
Vulnerabilidade em Águas Rasas
O design é otimizado para oceano aberto. Em litorais complexos, minas, submarinos diesel-elétricos silenciosos e mísseis antinavio de curto alcance criam desafios significativos.

Arleigh Burke vs. Concorrentes Globais
Type 052D (China)
O principal concorrente chinês.
Vantagens do Type 052D:
- Custo menor
- VLS universal (pode lançar mísseis antinavio maiores)
- Radar AESA desde o início
Vantagens do Arleigh Burke:
- Sistema Aegis comprovado em combate
- Maior número de células VLS (96 vs 64)
- Melhor integração com forças aliadas (Link 16, CEC)
Veredicto: Em conflito de alta intensidade, a superioridade em sensores e integração do Arleigh Burke prevalece. Em custo-benefício, o Type 052D vence.
Type 45 Daring (Reino Unido)
O especialista europeu em defesa aérea.
Vantagens do Type 45:
- Radar Sampson com rastreamento superior em alguns aspectos
- Propulsão elétrica integrada (mais eficiente em baixas velocidades)
Vantagens do Arleigh Burke:
- Dobro de células VLS (96 vs 48)
- Capacidade de ataque terrestre com Tomahawk
- Maior produção (70+ vs 6 unidades)
Veredicto: O Type 45 é excelente em defesa aérea, mas limitado em outras missões. O Arleigh Burke é o canivete suíço.
Sejong the Great (Coreia do Sul)
O “super-destroyer” sul-coreano, derivado do Arleigh Burke.
Vantagens do Sejong:
- 128 células VLS (recorde mundial)
- Maior deslocamento (10.000+ toneladas)
- Armamento mais pesado para enfrentar Coreia do Norte
Vantagens do Arleigh Burke:
- Menor custo
- Maior número de unidades (economia de escala)
- Mais experiência operacional
Veredicto: O Sejong é o Arleigh Burke sob esteroides. Mais poderoso individualmente, mas economicamente inviável em grande escala.
Uso em Conflitos: Batizado em Fogo Real
Guerra do Golfo (1991): As primeiras unidades participaram de operações de vigilância e proteção de forças anfíbias.
Operação Desert Fox (1998): Lançamento massivo de mísseis Tomahawk contra alvos iraquianos.
Guerra do Iraque (2003): Destroyers da classe dispararam centenas de Tomahawks nos primeiros dias do conflito, destruindo defesas aéreas, centros de comando e infraestrutura militar.
Intervenções na Síria (2014-2018): Ataques de precisão com mísseis de cruzeiro contra instalações químicas e posições do Estado Islâmico.
Crise do Mar Vermelho (2023-2024): O teste definitivo. Destroyers Arleigh Burke interceptaram dezenas de mísseis balísticos e drones lançados por forças Houthi. Foram os primeiros engajamentos reais de mísseis balísticos na história naval moderna. Os navios funcionaram exatamente como projetados.
Operações Antipirataria: Patrulhas na costa da Somália, protegendo rotas comerciais.
Em todos esses conflitos, o Arleigh Burke provou ser confiável, letal e versátil.

O Programa Naval Mais Bem-Sucedido
Custo unitário:
- Flight I/II originais: ~US$ 1 bilhão (ajustado pela inflação)
- Flight IIA: ~US$ 1,8 bilhão
- Flight III: ~US$ 2,2 bilhões
Unidades produzidas: Mais de 70 comissionadas, contratos para quase 90.
Operadores: Exclusivamente a US Navy.
Mas a influência vai além. Japão, Coreia do Sul, Espanha, Austrália e Noruega operam navios derivados ou inspirados no Arleigh Burke, usando tecnologias Aegis licenciadas.
O programa representa um investimento de mais de US$ 100 bilhões ao longo de três décadas. E continua crescendo.
Futuro: Longe de Aposentar
Modernizações em Curso:
Flight III: Produção ativa com radar SPY-6 e sistemas aprimorados de BMD.
SEWIP Block III: Guerra eletrônica ofensiva para “cegar” sistemas inimigos.
Armas Laser: HELIOS já está sendo instalado em navios selecionados para defesa contra drones e pequenas embarcações.
Mísseis Hipersônicos: Testes de integração com futuros mísseis de ataque hipersônico.
Substituto Planejado:
O programa DDG(X) está em desenvolvimento. Será maior, com geração elétrica massiva para alimentar lasers de alta potência e sistemas futuristas. Entrada em serviço prevista para meados da década de 2030.
Expectativa de Vida:
Os primeiros Arleigh Burkes devem servir por 35-40 anos. Com modernizações adequadas, alguns podem chegar a 50 anos. O último Flight III pode estar navegando em 2080.

FAQ
1. O USS Arleigh Burke ainda está em serviço ativo?
Sim. O DDG-51 original continua ativo, tendo passado por diversas modernizações. E a classe inteira continua sendo produzida, com novos navios sendo comissionados regularmente.
2. Ele é o destroyer mais poderoso do mundo?
Depende da métrica. Em capacidade geral multimissão, sim. Em armamento bruto, o sul-coreano Sejong the Great leva vantagem. Em defesa aérea pura, o Type 45 britânico compete de perto. Mas em combinação de versatilidade, tecnologia e números, o Arleigh Burke domina.
3. Quantos países operam esse modelo?
Apenas os Estados Unidos operam o Arleigh Burke diretamente. Mas Japão, Coreia do Sul, Espanha, Austrália e Noruega possuem navios derivados com tecnologia Aegis.
4. Ele já foi usado em guerra real?
Sim. Desde a Guerra do Golfo até a recente crise no Mar Vermelho, a classe participou de múltiplos conflitos, disparando milhares de mísseis Tomahawk e interceptando mísseis balísticos em combate real.
5. Existe versão de exportação?
Não diretamente. Mas os EUA licenciam tecnologias para aliados próximos. O Sejong the Great sul-coreano e os destroyers japoneses classe Kongo/Atago são essencialmente variantes localizadas com sistemas americanos.

O Pilar da Supremacia Naval Americana
O USS Arleigh Burke e sua classe não são apenas navios. São a materialização de uma doutrina: controle dos oceanos através de tecnologia superior e versatilidade absoluta.
Por mais de três décadas, esses destroyers formaram o escudo e a espada da US Navy. Protegeram porta-aviões em todos os oceanos. Derrubaram mísseis que nunca chegaram aos alvos. Lançaram ataques de precisão que mudaram o curso de conflitos.
E o mais impressionante? Eles continuam evoluindo.
Enquanto outras plataformas ficaram obsoletas, o Arleigh Burke se adaptou. Flight I virou Flight II. Flight II virou IIA. E agora o Flight III traz capacidades que superariam ficção científica dos anos 1980.
Com o programa DDG(X) no horizonte, eventualmente haverá um sucessor. Mas até lá, e provavelmente por décadas depois, a silhueta angular do Arleigh Burke continuará sendo sinônimo de poder naval americano.
Porque no final, dominar os oceanos não é sobre ter o maior navio. É sobre ter o navio certo, no lugar certo, com as capacidades certas. E nisso, o Arleigh Burke não tem rival.

Joseli Lourenço
Pesquisadora independente de história e tecnologia militar, dedicada a documentar os marcos e as inovações que transformaram os campos de batalha.
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