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The Order: 1886 – Por Que Sony Matou Esta Franquia?

The Order: 1886 tinha tudo para ser uma franquia gigante do PlayStation, mas Sony rejeitou a sequência. Descubra o que matou este jogo lendário.

The Order: 1886

Fevereiro de 2015 marcou o lançamento de um dos jogos mais controversos do PlayStation 4. The Order: 1886 prometia revolucionar a experiência cinematográfica nos consoles, mas acabou virando um caso clássico de “poderia ter sido”. O que poucos sabem é que existia uma sequência planejada, e a Sony simplesmente disse não.

A verdade por trás desse cancelamento envolve notas de crítica, decisões corporativas questionáveis e o fechamento de um estúdio talentoso. Essa é a história completa de um jogo que dividiu opiniões e nunca teve a chance de mostrar seu verdadeiro potencial.

The Order: 1886

Uma Londres Que Nunca Existiu (Mas Deveria)

The Order: 1886 transporta você para uma Londres vitoriana alternativa onde os Cavaleiros da Távola Redonda são reais e imortais. Não estamos falando de fantasia medieval boba. Aqui, Rei Artur descobriu a Blackwater, uma substância misteriosa que concede longevidade e cura acelerada.

Séculos depois, durante a Revolução Industrial, esses cavaleiros usam tecnologia steampunk avançada criada por ninguém menos que Nikola Tesla. Enquanto isso, criaturas lobisomem chamadas Half-Breeds aterrorizam a população londrina.

Você controla Sir Galahad, um cavaleiro cético que começa a questionar os métodos da Ordem. Ao lado dele estão Sir Perceval (o mentor sábio), Lady Igraine (guerreira elegante e mortal) e o Marquês de Lafayette (o francês charmoso que traz leveza ao grupo).

A premissa é sólida. O problema? O jogo mal arranha a superfície dessa mitologia rica.

The Order: 1886

Gameplay: Bonito de Ver, Chato de Jogar?

Aqui começa a polêmica. The Order: 1886 é um jogo de ação em terceira pessoa focado em cobertura e tiroteio. Você avança por cenários lindos, se esconde atrás de objetos e atira nos inimigos.

O arsenal Tesla eleva as coisas. A Arc Gun dispara raios elétricos devastadores. O Thermite Rifle cospe munição incendiária que transforma inimigos em churrasco. O Combo Gun oferece dois tipos de munição em uma arma só.

Mas o gameplay vem amarrado com Quick Time Events demais e uma sensação de estar sendo conduzido por trilhos invisíveis. Você não tem liberdade para explorar de verdade. Cada área tem um caminho óbvio, e desviar dele é impossível.

O combate corpo a corpo funciona bem quando aparece. As eliminações silenciosas dão aquele gostinho de satisfação. Mas essas mecânicas aparecem tão pouco que você fica com vontade de mais.

A Digital Foundry completou o jogo em 6 horas e 35 minutos. Desse tempo, apenas 40% foi combate real. O resto? Cinemáticas (33%), exploração e puzzles simples demais.

The Order: 1886

Gráficos Que Desafiaram a Geração Inteira

Aqui mora a glória de The Order: 1886. Os gráficos são absurdamente lindos, mesmo hoje em 2025. Ready at Dawn implementou iluminação fisicamente baseada, texturas cinematográficas e modelos de personagens tão detalhados que você vê poros na pele.

O jogo roda em resolução 1920×800 (aquelas barras pretas cinematográficas) com anti-aliasing MSAA 4x. Resultado? Cada frame parece uma pintura renascentista steampunk.

A Londres vitoriana ganha vida através de locais como Whitechapel (onde Jack, o Estripador, deixou sua marca macabra), o majestoso Crystal Palace e os sombrios Docks de Blackwall Yard. Cada cenário respira história e mistério.

O jogo ganhou o prêmio “Efeitos Especiais numa Produção em Tempo Real” nos Visual Effects Society Awards de 2016. Quando hackers desbloquearam 60fps no PlayStation 5 anos depois, o jogo continuou lindo. A direção de arte simplesmente não envelhece.

Mas gráficos bonitos não salvam um jogo sem substância.

The Order: 1886

A Crítica Massacrou (E Por Quê)

A recepção foi brutal. IGN deu 6.5/10, dizendo que “considerações cinematográficas foram priorizadas acima das necessidades básicas de gameplay”. GameSpot foi ainda mais cruel: 5.0/10, chamando o jogo de “uma tortura e uma tease”.

GameTrailers foi mais generoso com 8.2, mas a média ficou entre 6.5 e 7.0. Para um exclusivo PlayStation com orçamento gigante, isso foi devastador.

As críticas principais:

Curto demais para o preço (US$ 60 por 6 horas) Cinemáticas demais, gameplay de menos Quick Time Events em excesso Zero replay value (sem multiplayer, sem motivo para rejogar) Gameplay genérico comparado aos gráficos revolucionários

Os elogios:

Gráficos técnicos impressionantes História envolvente com personagens bem construídos Atmosfera cinematográfica imersiva Mundo alternativo criativo

Andrea Pessino, co-fundador da Ready at Dawn, revelou mais tarde que se o jogo tivesse recebido 70+ nas avaliações em vez de 65, a sequência teria acontecido. Sony rejeitou o projeto da sequência por causa das notas baixas.

O Futuro Que Nunca Veio

Ready at Dawn preparou uma proposta para a sequência que, segundo Pessino, seria “incrível”. O plano incluía maior foco em gameplay e menos cinemáticas forçadas. Shinobi602, leaker respeitado, confirmou que o estúdio estava desenvolvendo um “awesome sequel”.

Sony disse não.

Em 2024, a Meta fechou a Ready at Dawn permanentemente. Com o fechamento, qualquer esperança de ver Sir Galahad novamente morreu. O estúdio que criou obras-primas como God of War: Chains of Olympus na PSP simplesmente deixou de existir.

The Order: 1886 termina com um final aberto que gritava por sequência. Galahad descobre conspirações dentro da própria Ordem, Half-Breeds se revelam mais complexos do que pareciam, e a Blackwater esconde segredos maiores. Nada disso será explorado.

Plataformas e Requisitos do Sistema

Plataforma: Exclusivo PlayStation 4

Requisitos Mínimos (PS4):

  • Console: PlayStation 4 ou PlayStation 4 Pro
  • Armazenamento: 45 GB de espaço livre
  • Controle: DualShock 4

Requisitos Recomendados (PS5 via retrocompatibilidade):

  • Console: PlayStation 5
  • Benefícios: Tempos de carregamento reduzidos, maior estabilidade de frame rate

DLC Incluído: Knight’s Arsenal (Pacote Arsonist + Pacote Red Lightning com uniformes e variações de armas)

Ficha Técnica

Título: The Order: 1886

Gênero: Ação-Aventura / Shooter em Terceira Pessoa

Desenvolvedora: Ready at Dawn Studios

Publicadora: Sony Computer Entertainment

Plataformas: PlayStation 4 (exclusivo)

Data de Lançamento: 20 de fevereiro de 2015

Premissa Principal: Cavaleiros imortais da Távola Redonda protegem a Londres vitoriana de criaturas lobisomem usando tecnologia steampunk criada por Nikola Tesla.

Mecânica Chave: Sistema de cobertura e tiroteio com arsenal futurista, combate corpo a corpo, Quick Time Events e exploração cinematográfica linear.

Sinopse: Sir Galahad, membro da Ordem dos Cavaleiros, investiga uma conspiração envolvendo rebeldes, Half-Breeds e segredos dentro da própria Ordem durante a Revolução Industrial em uma Londres alternativa onde a Blackwater concede imortalidade.

Modos de Jogo: Campanha single-player (sem multiplayer)

Jogabilidade: Ação linear focada em narrativa cinematográfica com combate baseado em cobertura, eliminações stealth, escalada ambiental e QTEs. Arsenal inclui Arc Gun (raios elétricos), Thermite Rifle (munição incendiária) e outras armas Tesla.

Duração Média: 6 a 7 horas (incluindo cinemáticas)

Recepção/Avaliações:

  • IGN: 6.5/10
  • GameSpot: 5.0/10
  • GameTrailers: 8.2/10
  • Média Metacritic: 63/100

Prêmios: Visual Effects Society Awards 2016 – Efeitos Especiais numa Produção em Tempo Real

Legado: Nunca recebeu sequência. Ready at Dawn foi fechada pela Meta em 2024, encerrando a franquia permanentemente.

Conclusão: Um Experimento Que Merecia Mais

The Order: 1886 é um jogo que tentou algo diferente e pagou o preço. Priorizou espetáculo visual e narrativa cinematográfica sobre gameplay tradicional. Para alguns, isso foi corajoso. Para outros, foi um erro caro.

A verdade está no meio. O jogo oferece uma experiência única que poucos títulos conseguiram replicar. A construção de mundo é magistral, os personagens são carismáticos e os gráficos continuam impressionantes uma década depois.

Mas é impossível ignorar os problemas. Seis horas de jogo por preço cheio, gameplay limitado e QTEs demais frustraram muitos jogadores. Se a Ready at Dawn tivesse tido a chance de fazer uma sequência corrigindo esses erros, poderíamos ter uma franquia clássica nas mãos.

Em vez disso, temos um caso triste de potencial desperdiçado. The Order: 1886 merecia ser mais do que uma nota de rodapé na história do PlayStation 4. Merecia ser o começo de algo grande.

Se você nunca jogou e gosta de experiências cinematográficas, vale a pena pegar em promoção. Só ajuste suas expectativas e prepare-se para uma jornada linda, curta e agridoce através de uma Londres que nunca existiu, mas que você vai desejar conhecer melhor.

Foto de Joseli Lourenço

Joseli Lourenço

Criadora de conteúdo especializada em curiosidades, dedicada a explorar e compartilhar informações fascinantes, fatos históricos e descobertas que despertam o interesse e ampliam o conhecimento.

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