Sukhoi Su-57 Felon: O Caça Furtivo Russo de 5ª Geração
O Su-57 não é apenas mais um caça russo. É a resposta de Moscou ao domínio aéreo americano, um projeto que levou duas décadas para sair do papel e que hoje sobrevoa os céus da Ucrânia lançando mísseis contra alvos da OTAN. Enquanto o F-22 envelhece sem substituto e o F-35 domina as exportações ocidentais, o Felon surge como a única alternativa de quinta geração disponível para países que não se alinham com Washington.

A história do Su-57 começa no fim da Guerra Fria, quando engenheiros soviéticos perceberam que o futuro da aviação de combate não pertenceria a quem voasse mais rápido, mas a quem permanecesse invisível.
O colapso da URSS em 1991 congelou esses planos por uma década. Enquanto isso, os Estados Unidos lançavam o F-22 Raptor, estabelecendo um padrão de superioridade aérea que nenhum adversário conseguia igualar. A Rússia assistia, impotente, à OTAN bombardear a Iugoslávia em 1999 e o Iraque em 2003 sem conseguir reagir.
Em 2001, o Kremlin finalmente retomou o programa PAK FA (Prospective Airborne Complex of Frontline Aviation). A missão era clara: criar um caça capaz de enfrentar o F-22 em combate, penetrar defesas aéreas ocidentais e devolver à Rússia seu lugar entre as potências aeroespaciais. Vinte e cinco anos depois, o Su-57 é realidade. Não é perfeito, mas é real, e está em guerra.

VISÃO GERAL
O Su-57 é classificado como caça bimotor stealth multirole de quinta geração.
Multirole significa que ele não faz apenas uma coisa bem. Pode caçar outros aviões em combate ar-ar, bombardear alvos terrestres com mísseis de cruzeiro, atacar navios inimigos e suprimir sistemas de defesa aérea, tudo na mesma missão.
Seu papel no campo de batalha é triplo. Primeiro, dominar o espaço aéreo, destruindo caças adversários antes que eles vejam o Su-57 nos radares. Segundo, abrir caminho para outros aviões, eliminando baterias de mísseis antiaéreos que protegem alvos estratégicos. Terceiro, atacar com precisão, usando bombas guiadas e mísseis inteligentes contra quartéis, depósitos de munição e infraestrutura crítica.
Diferente do F-35 americano, que foi projetado para funcionar dentro de uma rede global de dados compartilhados entre aliados da OTAN, o Su-57 opera com maior autonomia. Ele não precisa de permissão de Washington para decolar ou de satélites americanos para encontrar alvos. É uma arma soberana.
DESENVOLVIMENTO E HISTÓRIA
O primeiro protótipo, chamado T-50-1, levantou voo em 29 de janeiro de 2010 no aeródromo de Dzyomgi, pilotado por Serguei Bogdan, um veterano condecorado como Herói da Rússia. Foram 47 minutos no ar, testando estabilidade, motores e sistemas básicos.
Mas voar não é o mesmo que funcionar. Entre 2010 e 2019, dez protótipos foram construídos e testados até a destruição. Em 2019, um deles caiu por falha no motor, matando o piloto e atrasando o programa por meses.
O contexto geopolítico acelerou tudo. A anexação da Crimeia em 2014, as sanções ocidentais, a intervenção na Síria em 2015 e, finalmente, a invasão da Ucrânia em 2022 transformaram o Su-57 de projeto experimental em necessidade estratégica.
Em junho de 2019, a Rússia assinou um contrato para 76 unidades até 2028. Em dezembro de 2020, a primeira aeronave de série foi entregue às Forças Aeroespaciais Russas (VKS).
Dois anos depois, em junho de 2022, o Su-57 entrou em combate real na Ucrânia. Não como propaganda, mas como ferramenta de guerra.
O Su-57 substitui uma frota envelhecida de MiG-29 e Su-27, caças soviéticos de quarta geração ainda competentes, mas incapazes de sobreviver contra defesas aéreas modernas equipadas com radares AESA e mísseis guiados por dados de satélite.
DESIGN E CONSTRUÇÃO
O Su-57 foi moldado pela obsessão russa com supermanobrabilidade. Não basta ser invisível ao radar; é preciso vencer em combate próximo caso o inimigo te detecte.
A fuselagem segue um design integral, onde a asa se funde ao corpo em um único perfil aerodinâmico. Isso reduz o arrasto e melhora a sustentação em altos ângulos de ataque, permitindo manobras impossíveis para caças convencionais.
Os estabilizadores verticais são totalmente móveis, chamados de “all-moving”. Diferente de aviões como o F-16, onde apenas uma parte da cauda se move, no Su-57 a superfície inteira gira, oferecendo controle brutal em curvas apertadas.
A construção utiliza materiais compostos em seções críticas para reduzir peso sem sacrificar resistência. Mas há uma polêmica: analistas ocidentais apontam que o Su-57 usa parafusos estruturais em certas junções, em vez da rebitagem completa vista no F-22. Isso pode criar pontos de reflexão de radar, comprometendo a furtividade.
Falando em furtividade, o Su-57 aplica revestimento absorvedor de radar (RAM) em radomes e superfícies críticas. As entradas de ar são moldadas para bloquear a visão direta das pás do motor, que são fontes intensas de reflexão. Os bocais de exaustão têm serrilhado para dispersar calor e reduzir assinatura infravermelha.
Mas a furtividade russa é diferente da americana. Enquanto o F-22 foi projetado para ser invisível, o Su-57 foi projetado para ser difícil de detectar. A diferença é sutil, mas importante.
Documentos vazados russos alegam uma seção transversal de radar (RCS) frontal abaixo de 0,01 m². Análises independentes estimam entre 0,1 e 0,5 m², dependendo do ângulo. Para comparação, o F-22 tem RCS inferior a 0,001 m², e o F-35 fica entre 0,01 e 0,05 m².
O problema são os sensores ópticos. O sistema IRST (Infrared Search and Track) na frente da aeronave tem uma janela esférica que não pode ser totalmente retraída. O mesmo vale para os sensores MAWS (Missile Approach Warning System) espalhados pela fuselagem. Essas esferas refletem ondas de radar como espelhos em certos ângulos, aumentando a assinatura.
Os russos argumentam que isso é um trade-off aceitável. O IRST permite detectar alvos furtivos sem emitir radar, algo que o F-22 e o F-35 não fazem tão bem. É uma filosofia diferente: detecção multibanda em vez de ocultação total.

ARMAMENTOS
O Su-57 carrega um canhão de 30mm 9-A1-4071K integrado à fuselagem. Dispara 100 projéteis por minuto e serve para combate de curta distância ou ataques a alvos terrestres leves.
O coração do arsenal está nos compartimentos internos de armamento. São dois compartimentos principais em tandem, entre as entradas de ar e o trem de pouso, capazes de carregar entre 4 e 6 mísseis ar-ar cada, totalizando até 10 mísseis em configuração furtiva.
Carregar armas internamente é essencial. Mísseis pendurados em pilones externos aparecem nos radares como árvores de Natal. Mantê-los dentro da fuselagem preserva a furtividade.
Para combate aéreo, o Su-57 usa:
- R-77M: Míssil de médio/longo alcance com orientação por radar ativo. Dispara e esquece, atingindo alvos até 200 km de distância.
- R-73: Míssil de curto alcance com orientação infravermelha. Para combate próximo, quando você vê o branco dos olhos do inimigo.
A Rússia está testando novos mísseis hipersônicos ar-ar desde 2024, mas detalhes permanecem classificados.
Para ataques terrestres e marítimos:
- Kh-69: Míssil de cruzeiro subsônico, alcance de 300 km, orientação por GPS/GLONASS. Pode ser lançado de dentro do território russo e atingir alvos na Ucrânia sem cruzar a fronteira.
- Kh-38M: Míssil ar-solo de médio alcance, versátil para alvos móveis.
- Kh-35U: Míssil anti-navio, projetado para afundar fragatas e contratorpedeiros.
O Su-57 também transporta bombas guiadas de precisão com orientação por satélite ou câmeras de TV. Há relatos de uso do Su-71K, um sistema híbrido drone-míssil ainda em testes, alegadamente mais furtivo que o Kh-69.
Além dos compartimentos internos, o Su-57 tem 8 pilones externos para missões onde furtividade não é prioridade. Isso permite carregar até 10 toneladas de armamento, transformando o caça em bombardeiro tático.
TECNOLOGIA E SISTEMAS
Aqui está a verdadeira revolução do Su-57.
Radar N036 Byelka (“Esquilo”)
É um sistema AESA (Active Electronically Scanned Array) distribuído em cinco radares espalhados pela fuselagem:
- Radar frontal N036-1-01 em banda-X (frequência padrão para combate aéreo)
- Radares laterais em banda-L (frequência mais baixa, efetiva contra alvos furtivos)
A antena principal mede 90 cm × 70 cm e contém 1.552 módulos transmissores/receptores de arseneto de gálio. Cada módulo funciona de forma independente, permitindo que o radar faça várias coisas ao mesmo tempo: rastrear 60 alvos, engajar 16 simultaneamente, e ainda fazer mapeamento de terreno.
O diferencial está na banda-L. Caças furtivos como o F-22 e F-35 foram otimizados para absorver ondas em banda-X, a frequência usada pela maioria dos radares militares. Mas em banda-L, com ondas mais longas, eles ficam parcialmente visíveis.
Não é detecção perfeita. A resolução é menor, e você não consegue travar um míssil apenas com banda-L. Mas é suficiente para saber que há algo ali, direcionar o IRST, e fechar a distância até que o radar banda-X finalmente capte o alvo.
Sistema Eletro-Óptico 101KS Atoll
Composto por múltiplos sensores integrados:
| Sensor | Função |
|---|---|
| 101KS-V | IRST frontal, detecta calor de motores e fuselagens a longas distâncias sem emitir radar |
| 101KS-U | 4 sensores ultravioleta MAWS em 360°, detectam plumas de escape de mísseis inimigos |
| 101KS-O | 2 lasers multiespectrais DIRCM, cegam ou desviam mísseis infravermelhos |
| 101KS-N | Pod de navegação/designação (em desenvolvimento), integra TV + termal + laser medidor de distância |
O IRST é particularmente importante. Permite ao Su-57 rastrear alvos furtivos sem ligar o radar, permanecendo passivo e invisível às contramedidas eletrônicas inimigas.
Sistema C3 C-111-N
Conecta até 4 aeronaves Su-57 em rede tática em tempo real. Elas compartilham dados de sensores, dividem alvos automaticamente e coordenam ataques sem comunicação por rádio.
Não é tão sofisticado quanto o Link 16 da OTAN, que conecta centenas de plataformas simultaneamente (caças, navios, satélites, drones). Mas é eficaz em formações menores, e não depende de infraestrutura americana.
Integração com UAVs
O Su-57 está sendo testado como controlador de drones wingman, especialmente o S-70 Okhotnik, um UCAV furtivo de ataque. A ideia é que o piloto do Su-57 comande o drone remotamente, usando-o como isca, sensor avançado ou plataforma de ataque descartável.
Em outubro de 2024, um S-70 saiu de controle durante testes. O Su-57 que o acompanhava teve que derrubá-lo para evitar que caísse em território inimigo. Não foi uma falha do Su-57, mas mostrou que a tecnologia ainda não está madura.

DESEMPENHO
Números são frios, mas dizem muito.
- Velocidade máxima: Mach 2.45 (aproximadamente 2.600 km/h). Isso é teórico, em altitude ideal, sem carga externa. Na prática, com mísseis e tanques externos, fica mais próximo de Mach 2.
- Velocidade de cruzeiro: Entre 1.300 e 1.850 km/h. O Su-57 voa rápido, mas não em supercruise (velocidade supersônica sem pós-combustão). Esse é um requisito de quinta geração que o motor atual não atinge.
- Teto operacional: Entre 18.000 e 20.000 metros. Alto o suficiente para evitar a maioria dos mísseis terra-ar portáteis, mas não estratosférico como o SR-71.
- Taxa de subida: 361 m/s, ou aproximadamente 71.000 pés por minuto. Isso significa que o Su-57 pode ir do nível do mar a 10.000 metros em menos de 30 segundos.
- Raio de combate: 1.500 km com carga de armamento. Isso permite decolar da Rússia, atacar alvos no leste da Ucrânia e retornar sem reabastecer.
- Alcance ferry: 5.500 km sem carga, apenas combustível. Suficiente para cruzar da Rússia ao Oriente Médio sem escalas.
O limite de G operacional é +9 G, estruturalmente suportado mas limitado pela resistência humana. Pilotos treinados conseguem aguentar até +9 G por curtos períodos com trajes anti-G.
A carga alar varia entre 330 e 470 kg/m², dependendo do peso total. Isso afeta manobrabilidade; quanto menor, melhor o desempenho em curvas.
O que esses números significam? O Su-57 é rápido, sobe como foguete e vira como helicóptero. Mas não é o mais rápido, nem o mais alto, nem o mais furtivo. É equilibrado, versátil, e projetado para sobreviver em combate real, não apenas impressionar em shows aéreos.
FICHA TÉCNICA
| Especificação | Dado |
|---|---|
| País de Origem | Rússia |
| Fabricante | Sukhoi / KnAAPO |
| Comprimento | 20,1 m |
| Envergadura | 14,2 m |
| Altura | 6,05 m |
| Peso Vazio | ~18.000 kg |
| Peso Máximo Decolagem | 35.000 kg |
| Motor | 2× AL-41F1 (Izdelie 117) |
| Empuxo por Motor | 145 kN com pós-combustão |
| Tripulação | 1 (piloto) |
| Ano de Introdução | 2020 |
| Status | Em serviço ativo |
VANTAGENS E PONTOS FORTES
Supermanobrabilidade comprovada
O Su-57 executa manobras que físicos jurariam ser impossíveis. Vetorização de empuxo tridimensional permite que os bocais do motor girem em qualquer direção, empurrando a aeronave para cima, para baixo, ou de lado.
Pilotos de teste já realizaram mais de 20 manobras acrobáticas seguidas a 100 metros de altitude. Em combate próximo, isso significa virar por dentro do adversário, apontar o nariz antes dele, e disparar primeiro.
Alcance de sensores superior
O radar N036 detecta alvos convencionais a 400 km, quase o dobro da maioria dos caças de quarta geração. Isso oferece vantagem tática: ver primeiro, atirar primeiro, ir embora antes que o inimigo reaja.
Detecção anti-furtividade
Os radares em banda-L são únicos entre caças de quinta geração. F-22 e F-35 não têm nada equivalente. Isso não torna o Su-57 imune à furtividade inimiga, mas reduz a vantagem.
Custo-benefício
Com preço estimado entre US$ 35 e 45 milhões por unidade, o Su-57 custa aproximadamente:
- 1/3 do F-22 (US$ 146 milhões)
- Metade do F-35 (US$ 80 milhões)
Para países com orçamentos limitados que não podem comprar F-35 (ou não são autorizados pelos EUA), o Su-57 é a única opção de quinta geração disponível.
Experiência em combate real
O Su-57 é o único caça de quinta geração com três anos de operações em zona de guerra contestada. F-22 e F-35 já voaram em combate, mas raramente enfrentaram defesas aéreas modernas. O Su-57 está penetrando redes de SAMs ucranianos equipados com sistemas ocidentais desde 2022.
LIMITAÇÕES E CRÍTICAS
Furtividade questionável
A maior crítica ao Su-57 é que sua furtividade é marketing, não realidade.
Os sensores ópticos externos (IRST e MAWS) têm janelas esféricas que refletem radar. A construção usa parafusos estruturais visíveis em certas seções. Análises independentes estimam RCS entre 0,1 e 0,5 m², muito acima dos <0,001 m² do F-22.
Isso significa que o Su-57 pode ser detectado por radares AESA modernos a distâncias onde o F-22 permaneceria invisível.
Motor insuficiente
O AL-41F1 atual é um motor de quarta geração melhorado, não um verdadeiro motor de quinta geração. Ele entrega 9% menos potência que o F119 do F-22, e não permite supercruise (velocidade supersônica sustentada sem pós-combustão).
O novo motor Produto 30 está em desenvolvimento desde 2017, mas ainda não entrou em produção em série. Estimativas colocam integração em 2027, quase duas décadas após o primeiro voo do Su-57.
Enquanto isso, a aeronave opera com desempenho reduzido.
Produção limitada
Até 2024, apenas 32 Su-57 foram produzidos (10 protótipos + 22 de série). A taxa de produção é de 4 a 10 unidades por ano.
Para comparação, os EUA produzem mais de 200 F-35 por ano. Enquanto o F-35 já passa de 1.000 unidades globalmente, o Su-57 conta dezenas.
Isso limita sua relevância estratégica. Uma força de 30 aeronaves pode fazer diferença em conflitos regionais, mas não muda o equilíbrio global de poder.
Aviônica imatura
Sistemas como a fusão de sensores em 360° e integração total com UAVs ainda estão em desenvolvimento. O F-35 já tem isso funcionando há anos.
Pilotos russos relatam que o Su-57 é complexo de operar e requer treinamento extenso. A logística de manutenção também é desafiadora, especialmente para os sensores eletro-ópticos.
Sanções econômicas
Desde 2022, a Rússia enfrenta sanções ocidentais que limitam acesso a semicondutores avançados, materiais compostos e tecnologia de manufatura de precisão. Isso atrasa produção e força improvisações que comprometem qualidade.
Fracasso nas exportações
A Índia investiu bilhões no programa PAK-FA nos anos 2000, mas abandonou o projeto em 2018, citando motores insuficientes e atrasos crônicos. A China nunca se comprometeu.
Até 2025, apenas a Argélia confirmou compra (6-14 unidades). Contraste com o F-35, operado por 19 países e contando.

COMPARAÇÃO COM CONCORRENTES
Su-57 (Rússia)
| Aspecto | Su-57 |
|---|---|
| Furtividade (RCS) | ~0,1–0,5 m² |
| Velocidade Máxima | Mach 2.45 |
| Supercruise | Não confirmado |
| Manobrabilidade | Excelente (vetoração 3D) |
| Alcance do Radar | ~400 km |
| Custo Unitário | US$ 35–45 milhões |
| Unidades Produzidas | ~30 |
F-22 Raptor (EUA)
| Aspecto | F-22 Raptor |
|---|---|
| Furtividade (RCS) | < 0,001 m² |
| Velocidade Máxima | Mach 2.25 |
| Supercruise | Confirmado (Mach 1.5+) |
| Manobrabilidade | Boa (vetoração 2D) |
| Alcance do Radar | ~250 km |
| Custo Unitário | ~US$ 146 milhões |
| Unidades Produzidas | 187 |
Veredito — Su-57 vs F-22
O F-22 domina furtividade e supercruise, porém é extremamente caro e não está à venda.
O Su-57 aposta em agilidade, sensores de longo alcance e custo menor, sacrificando discrição radar.
F-35 Lightning II (EUA / Aliados)
| Aspecto | F-35 |
|---|---|
| Furtividade (RCS) | ~0,01–0,05 m² |
| Velocidade Máxima | Mach 1.6 |
| Supercruise | Não |
| Manobrabilidade | Limitada |
| Integração em Rede | Global (JADC2) |
| Custo Unitário | ~US$ 80 milhões |
| Unidades Globais | 1.000+ |
Veredito — Su-57 vs F-35
O F-35 é um sistema de combate em rede, pensado para guerra centrada em dados.
O Su-57 segue a doutrina clássica de caça, priorizando velocidade, manobrabilidade e menor custo.
J-20 Mighty Dragon (China)
| Aspecto | J-20 |
|---|---|
| Furtividade (RCS) | ~0,08–0,3 m² |
| Manobrabilidade | Boa (sem vetoração) |
| Experiência em Combate | Nenhuma (apenas exercícios) |
| Exportação | Não |
| Unidades Produzidas | 60+ |
Veredito — Su-57 vs J-20
O J-20 prioriza furtividade e interceptação de longo alcance.
O Su-57 se destaca pela supermanobrabilidade e uso real em combate.
USO EM CONFLITOS
O Su-57 entrou em combate na Ucrânia em junho de 2022 e continua sendo empregado, porém de forma cautelosa.
TÁTICAS RUSSAS
A Rússia opera o Su-57 em formações de quatro aeronaves, conectadas por sistemas C3.
Não penetram profundamente no espaço aéreo ucraniano
Operam próximas à fronteira
Disparam mísseis Kh-69 a até 300 km
Retornam antes de qualquer interceptação
Essa estratégia reduz riscos estratégicos e políticos. A perda de um Su-57 para sistemas como Patriot ou NASAMS teria impacto desastroso.
OPERAÇÕES DOCUMENTADAS
Junho de 2022: primeiros ataques confirmados no leste da Ucrânia
Outubro de 2024: Su-57 abate o drone S-70 Okhotnik após perda de controle
Janeiro de 2025: ataque coordenado contra quartel-general em Sumy, com apoio de mísseis Kalibr
RESULTADOS
Até o momento, nenhum Su-57 foi confirmado como abatido.
O caça demonstra capacidade de sobrevivência, mas não exerce domínio aéreo absoluto, diferentemente do F-22 no Iraque ou do F-35 na Síria.

CUSTO E PRODUÇÃO
Custos do Programa Su-57
| Aspecto | Valor |
|---|---|
| Custo unitário flyaway | US$ 35–45 milhões |
| Custo com P&D amortizado | ~US$ 110 milhões por aeronave |
Observação:
O custo flyaway representa apenas a produção direta. Quando se distribuem os gastos com pesquisa, desenvolvimento e testes, o valor real por unidade sobe de forma significativa.
PRODUÇÃO HISTÓRICA
| Período | Produção |
|---|---|
| 2010–2019 | 10 protótipos |
| 2019–2024 | 22 aeronaves de série inicial |
| Total até 2024 | 32 (protótipos + série) |
| 2025–2028 (planejado) | 44 aeronaves |
| Meta contratual (2028) | 76 unidades |
OPERADORES
🇷🇺 Rússia
| Aspecto | Dados |
|---|---|
| Aeronaves em serviço | ~30 |
| Encomenda total | 76 unidades |
| Prazo contratual | Até 2028 |
| Operador | Força Aeroespacial Russa (VKS) |
🇩🇿 Argélia
| Aspecto | Dados |
|---|---|
| Status | Primeiro cliente estrangeiro |
| Entregas confirmadas | 2 Su-57E (novembro de 2025) |
| Entregas previstas | +4 a 12 até 2027 |
Outros países — como Irã, Vietnã e Tailândia — demonstraram interesse, mas não há contratos oficialmente confirmados até o momento.
FUTURO DO SU-57
O futuro do programa depende de três fatores estratégicos centrais.
Motor Produto 30
| Aspecto | Situação |
|---|---|
| Versão | Su-57M1 |
| Previsão de integração | 2027 |
| Supercruise | Confirmado |
| Empuxo | ~20% superior ao AL-41F1 |
| Design | Bocais redesenhados com foco em furtividade |
Se o Produto 30 cumprir o prometido, o Su-57 finalmente se consolidará como um caça de quinta geração pleno.
Novos atrasos, porém, podem comprometer seriamente a relevância do programa.
Exportações
| Aspecto | Impacto |
|---|---|
| Número mínimo viável | 4 a 6 países operadores |
| Benefício direto | Redução do custo unitário |
| Benefício estratégico | Financiamento de upgrades |
A exportação é crítica para a sobrevivência econômica do programa. Sem novos clientes, a modernização contínua se torna limitada.
Integração com UAVs
| Aspecto | Status |
|---|---|
| Conceito | Caça tripulado comandando drones |
| UAV principal | S-70 Okhotnik |
| Grau de maturidade | Experimental |
A doutrina russa reconhece que o futuro da guerra aérea está em operações tripulado–não tripulado, mas essa capacidade ainda não está operacionalmente madura.
VIDA ÚTIL ESTIMADA
| Aspecto | Projeção |
|---|---|
| Vida útil planejada | ~35 anos |
| Aposentadoria estimada | 2055–2060 |
| Substituto direto | Nenhum confirmado |
Até o momento, não existe um programa oficial de sexta geração anunciado para substituir o Su-57. Há apenas conceitos teóricos, sem cronograma ou design definido.

FAQ
1. O Su-57 ainda está em uso?
Sim. Cerca de 30 aeronaves estão em serviço ativo nas Forças Aeroespaciais Russas e operam regularmente na Ucrânia desde junho de 2022.
2. Ele é o caça mais poderoso da categoria?
Não. O F-22 Raptor mantém superioridade técnica em furtividade e supercruise. O Su-57 compensa com supermanobrabilidade e custo menor.
3. Quantos países operam o Su-57?
Dois. Rússia (~30 unidades) e Argélia (2 entregues em 2025, mais 4-12 a caminho).
4. Ele já foi usado em guerra?
Sim. O Su-57 está em combate ativo na Ucrânia desde junho de 2022, lançando mísseis de cruzeiro e suprimindo defesas aéreas.
5. Existe versão de exportação?
Sim. O Su-57E é a variante de exportação com algumas restrições tecnológicas (criptografia, alcance de radar reduzido). A Argélia é o primeiro cliente.

O Su-57 Felon não é o melhor caça do mundo. Nunca foi projetado para ser.
Ele é a resposta russa ao domínio aéreo ocidental, uma plataforma que equilibra custo, desempenho e soberania tecnológica em vez de perseguir perfeição inatingível.
Suas limitações são reais. A furtividade é questionável, o motor é temporário, a produção é limitada. Mas suas vantagens também são reais: supermanobrabilidade comprovada, sensores de longo alcance, detecção anti-stealth, e três anos de experiência em combate real.
O Su-57 importa porque representa uma alternativa. Para países que não podem ou não querem comprar F-35, ele é a única quinta geração disponível. Para a Rússia, é a garantia de que, mesmo isolada e sancionada, ainda pode projetar poder aéreo.
O futuro dirá se o Su-57 será lembrado como um caça revolucionário ou como um projeto ambicioso que chegou tarde demais. Por enquanto, ele continua voando, lutando, e vendendo a mensagem de que a Rússia ainda é potência aeroespacial.
E essa mensagem, por si só, já é estratégica.

Joseli Lourenço
Pesquisadora independente de história e tecnologia militar, dedicada a documentar os marcos e as inovações que transformaram os campos de batalha.
Continue explorando >

F-35 Lightning II: O Caça Stealth Que Custou US$ 2 Trilhões
Ele custa US$ 2 trilhões, equipa 19 países e promete invisibilidade aos radares inimigos. O Lockheed Martin F-35 Lightning II não é apenas mais um caça de guerra. É o programa militar mais caro e

Pearl Harbor: A Aposta que Destruiu o Japão
Ao amanhecer de 7 de dezembro de 1941, aviões japoneses romperam o céu do Havaí e transformaram Pearl Harbor em um campo de destruição. Em poucas horas, mais de 2.400 americanos morreram e os Estados

AH-64 Apache: O Helicóptero de Combate Mais Letal do Mundo
Desde 1986, o Boeing AH-64 Apache reina absoluto como o helicóptero de ataque mais temido e tecnologicamente avançado do planeta. Com mais de 2.700 unidades voando em 19 países, este predador aéreo transformou a guerra

B-2 Spirit: O Bombardeiro que Pode Atacar Qualquer Lugar Sem Ser Visto
Em junho de 2025, sete bombardeiros invisíveis decolaram da base de Whiteman no coração dos Estados Unidos. Trinta horas depois, instalações nucleares iranianas enterradas a 60 metros de profundidade foram pulverizadas por bombas de 13
