Por dentro do maior navio de guerra da Marinha do Brasil
O maior navio de guerra da América Latina carrega 21.500 toneladas de poderio naval. Da Royal Navy britânica para a capitânia da Marinha do Brasil, esta plataforma anfíbia redefine a projeção de poder regional.

O NAM Atlântico não é apenas o maior navio de guerra da América Latina. Ele representa uma mudança estratégica profunda na capacidade da Marinha do Brasil de projetar força além de suas águas territoriais.
Adquirido do Reino Unido em 2018 por £84,6 milhões — um valor surpreendentemente baixo para um navio desse porte — o ex-HMS Ocean chegou ao Brasil carregando uma bagagem operacional invejável: participação em conflitos reais como a invasão do Iraque em 2003, operações humanitárias no Caribe e África, e duas décadas de serviço contínuo em uma das marinhas mais experientes do mundo.
Em um momento em que o porta-aviões NAe São Paulo foi desativado, o Atlântico surge como a resposta brasileira para manter relevância em operações anfíbias, controle marítimo e resposta a crises humanitárias. Com 203,4 metros de comprimento e capacidade para transportar 830 tropas, 40 veículos e 18 helicópteros simultaneamente, este navio-aeródromo multipropósito coloca o Brasil em um clube seleto de nações com capacidade real de projeção de força por via marítima

VISÃO GERAL
Tipo: Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) / Landing Platform Helicopter (LPH)
Função principal: Projeção de poder anfíbio através de operações com helicópteros e embarcações de desembarque
Papel no campo de batalha: Serve como capitânia da Esquadra, centro de comando para operações conjuntas, plataforma de lançamento de tropas e equipamentos, e navio de apoio humanitário em larga escala. Sua capacidade de coordenar operações aéreas e marítimas simultaneamente o torna o coração de qualquer força-tarefa expedicionária brasileira.
DESENVOLVIMENTO E HISTÓRIA
Início do projeto: 1993, Reino Unido
Motivo da criação: A Royal Navy precisava de um navio dedicado a operações de assalto anfíbio após a Guerra Fria, capaz de substituir capacidades antigas e apoiar intervenções rápidas em conflitos regionais.
O projeto nasceu em um momento crucial. A década de 1990 viu conflitos nos Balcãs, intervenções humanitárias na África Ocidental e operações de paz que exigiam resposta rápida sem a necessidade de um porta-aviões completo.
Conflitos que influenciaram o design:
- Guerra das Malvinas (necessidade de projeção anfíbia)
- Operações nos Balcãs (transporte rápido de tropas)
- Missões humanitárias no Caribe (versatilidade operacional)
Evolução ao longo do tempo:
A quilha foi batida em 30 de maio de 1994 pelos estaleiros Kvaerner Govan e Vickers Shipbuilding. O lançamento ocorreu em 11 de outubro de 1995, com comissionamento na Royal Navy em 30 de setembro de 1998.
Durante seus 20 anos sob bandeira britânica, o Ocean participou de:
- Operação Telic (Iraque, 2003)
- Operações na Líbia (2011)
- Missões humanitárias em Serra Leoa e no Caribe
- Dezenas de exercícios multinacionais
Entre 2012 e 2014, passou por reforma profunda que modernizou sistemas eletrônicos e armamentos. Foi descomissionado em 27 de março de 2018 e transferido ao Brasil em 19 de fevereiro de 2018.
Em 29 de junho de 2018, foi oficialmente comissionado como PHM Atlântico. Dois anos depois, em 2020, recebeu a nova designação NAM (Navio-Aeródromo Multipropósito), refletindo sua capacidade de integrar aeronaves não tripuladas e outras plataformas aéreas modernas.
Substituiu: NAe São Paulo (A-12), o antigo porta-aviões brasileiro que operou entre 2000 e 2017.

ESTRUTURA E PROTEÇÃO
O Atlântico foi construído utilizando linhas de casco derivadas dos porta-aviões classe Invincible, mas seguindo padrões mercantes modificados para atender requisitos militares — uma escolha que reduziu custos sem comprometer capacidade operacional.
Materiais: Aço naval convencional com reforços estruturais em áreas críticas. A construção seguiu as Normas de Engenharia Naval britânicas e regras da Sociedade Classificadora, garantindo resistência a condições extremas de mar.
Formato: O design apresenta um convés de voo ininterrupto de proa a popa, medindo 170 metros de comprimento utilizável. A superestrutura longa fica posicionada à boreste (lado direito), liberando máximo espaço para operações aéreas. Na popa, uma doca inundável permite o lançamento de embarcações de desembarque LCVP diretamente na água.
Furtividade: Não foi projetado com características stealth. Como navio de assalto anfíbio, sua missão não exige baixa assinatura radar — ele opera protegido por navios escolta em grupo de batalha.
Proteção:
A filosofia é capacidade operacional sobre blindagem pesada. O navio conta com:
- Compartimentação estanque avançada para sobrevivência a danos
- Sistema de controle de avarias automatizado
- Proteção NBC (Nuclear, Biológica, Química) para áreas críticas
- 4 canhões DS30M Mk2 de 30mm para defesa de ponto
- 3 sistemas Phalanx CIWS contra mísseis e aeronaves
- Sistema UAT ESM para guerra eletrônica passiva
- Lançadores de despistadores (chaff/flare) contra mísseis guiados
- Sistema SSTD de defesa contra torpedos

ARMAMENTOS (sem instrução técnica)
O Atlântico não é um navio de linha de frente — seu armamento é puramente defensivo.
Canhões DS30M Mk2 de 30mm (4 unidades):
- Função: defesa contra embarcações rápidas e aeronaves de baixa altitude
- Alcance: eficaz até 3 km
- Torres remotamente controladas
Sistemas Phalanx CIWS (3 unidades):
- Função: última linha de defesa contra mísseis antinavio
- Alcance: 1,5 km
- Sistema totalmente automatizado
Miniguns e metralhadoras (12 unidades):
- Função: defesa próxima contra ameaças assimétricas
- Alcance: curta distância
Armamento real: Os 18 helicópteros embarcados são a verdadeira força ofensiva. Podem incluir:
- EC725 Caracal (transporte e ataque)
- S-70B Seahawk (guerra antissubmarina)
- AS350 Écureuil (reconhecimento e apoio)

TECNOLOGIA E SISTEMAS
Esta é a área onde o Atlântico realmente brilha — e onde a experiência britânica transferida faz diferença.
Radar Type 997 Artisan 3D
O coração do sistema de detecção. Este radar multifunção de última geração oferece:
- Rastreamento simultâneo de 800+ alvos
- Alcance superior a 200 km
- Capacidade de detectar mísseis rasantes
- Resistência a contramedidas eletrônicas
- Integração com sistemas de armas
Na prática: O Artisan permite que o Atlântico funcione como centro de comando de uma força-tarefa, coordenando a defesa aérea de múltiplos navios simultaneamente.
Sistema de Gerenciamento de Combate DNA2
O CMS (Combat Management System) DNA2 integra todos os sensores e armas em uma única interface. Isso significa:
- Fusão de dados de radar, comunicações e guerra eletrônica
- Distribuição automática de alvos para sistemas de defesa
- Compartilhamento de informações com navios aliados
- Tomada de decisão assistida por computador
Modernização em andamento: Em 2022, a BAE Systems assinou contrato de 5 anos para atualização contínua do DNA2, garantindo compatibilidade com ameaças futuras.
Radares de Navegação e Controle Aéreo
Type 1008: Navegação de precisão e detecção de superfície
Type 1007 (2 unidades): Controle de tráfego aéreo no convés
Esses sistemas permitem operações noturnas e com visibilidade zero, coordenando pousos e decolagens simultâneas de múltiplos helicópteros.
Guerra Eletrônica UAT ESM
Sistema passivo de Medidas de Apoio Eletrônico:
- Detecta emissões de radar inimigas
- Identifica tipo e origem de ameaças
- Alerta precoce de mísseis antinavio
- Não revela posição do navio (passivo)
Comunicações e Rede
O Atlântico opera como nó central de comunicações, com:
- Links de dados táticos com forças aliadas
- Comunicação satélite de longo alcance
- Sistemas criptografados de alta segurança
- Capacidade de comando conjunto com OTAN
Sem IA autônoma: Os sistemas são automatizados, mas sempre sob supervisão humana. A decisão final permanece com os operadores.

DESEMPENHO GERAL
Os números do Atlântico contam a história de um navio projetado para resistência e versatilidade, não velocidade pura.
Velocidade máxima: 18 nós (33 km/h)
Parece lento? É intencional. Como plataforma anfíbia, não precisa perseguir alvos — precisa chegar e permanecer. A velocidade de cruzeiro de 10-15 nós otimiza consumo de combustível.
Autonomia: 8.000 milhas náuticas (13.000 km)
Na prática: pode navegar de Santos até a costa africana sem reabastecer. Ou permanecer em patrulha no Atlântico Sul por semanas consecutivas. Essa autonomia é crítica para operações de ajuda humanitária em ilhas distantes ou missões de presença naval prolongadas.
Deslocamento: 21.500 toneladas
Para contexto: é maior que alguns cruzadores de batalha da Segunda Guerra Mundial. Esse volume traduz-se em:
- Estabilidade excepcional (plataforma para helicópteros mesmo em mar agitado)
- Capacidade massiva de carga
- Acomodações confortáveis para tripulação em missões longas
Capacidade de transporte:
- 830 tropas em configuração padrão (+ 320 em emergência de curto prazo)
- 40 veículos (jipes, blindados leves, caminhões)
- 18 helicópteros operacionais + 12 adicionais em hangar
- 4 embarcações LCVP para desembarque anfíbio
O que isso significa em combate:
Imagine uma operação de evacuação de cidadãos em país em crise. O Atlântico pode:
- Navegar 5.000 km sem apoio logístico
- Posicionar-se na costa
- Lançar helicópteros para resgate urbano
- Enviar LCVPs para evacuação costeira
- Abrigar 1.500+ pessoas a bordo
- Retornar ao Brasil sem escalas
Limitações:
A velocidade de 18 nós é inferior a destróieres modernos (30+ nós). Em cenário de guerra de alta intensidade, precisa de escolta rápida. A capacidade de 40 veículos não inclui tanques pesados — limitação para assaltos anfíbios contra defesas fortificadas.
FICHA TÉCNICA
| Especificação | Dados |
|---|---|
| País de origem | Reino Unido (operador atual: Brasil) |
| Fabricante | Kvaerner Govan / VSEL (Vickers Shipbuilding) |
| Deslocamento | 21.500 toneladas |
| Comprimento | 203,4 metros |
| Propulsão | 2× Crossley Pielstick PC2 Mk-6 (diesel, 12 cilindros) |
| Tripulação | 285 + 180 aviação + 830 tropas |
| Ano de introdução | 1998 (RN) / 2018 (MB) |

VANTAGENS E PONTOS FORTES
Por que é respeitado:
Experiência comprovada em combate real. Diferente de navios que nunca saíram de exercícios, o Atlântico tem histórico operacional robusto — Iraque, Líbia, Serra Leoa. Essa experiência está embutida em seus sistemas e procedimentos.
O maior da América Latina. Não é marketing — é capacidade real. Nenhum outro navio na região pode transportar tropas, veículos e aeronaves nessa escala simultaneamente.
Plataforma de comando superior. O radar Artisan e o CMS DNA2 transformam o Atlântico no cérebro de operações complexas, coordenando forças navais, aéreas e terrestres em tempo real.
Superioridade sobre concorrentes regionais:
Versatilidade incomparável:
- Opera como navio de assalto anfíbio
- Funciona como hospital flutuante (300+ leitos em emergência)
- Serve de base logística em desastres naturais
- Atua como centro diplomático em visitas de estado
Custo-benefício excepcional: £84,6 milhões por um navio dessa capacidade é irrisório. Um projeto novo custaria €1+ bilhão.
Principais destaques:
✓ Convés de voo ininterrupto de 170m — operações aéreas simultâneas
✓ Hangar duplo com elevadores independentes — máxima eficiência
✓ Doca inundável — lançamento rápido de embarcações
✓ Sistemas britânicos de última geração — tecnologia OTAN comprovada
✓ Autonomia estratégica — 13.000 km sem reabastecimento

LIMITAÇÕES E CRÍTICAS
Custo operacional elevado
Navios desse porte consomem recursos massivos:
- Tripulação de 285 + 180 pessoal de aviação
- Manutenção de 2 motores diesel de 12 cilindros
- Combustível para 8.000 milhas náuticas
- Peças importadas de fornecedores britânicos
Impacto: A Marinha do Brasil precisou firmar contrato de 5 anos com a BAE Systems apenas para suporte técnico do radar e CMS — evidenciando dependência de expertise estrangeira.
Manutenção complexa e demorada
As docagens são eventos de grande porte:
- Exigem dique específico (Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro)
- Períodos de indisponibilidade de meses
- Equipes especializadas
- Peças de reposição com lead time longo
Em março de 2025, o último desdocamento foi notícia — ilustrando que até manutenções de rotina são operações logísticas complexas.
Limitações operacionais críticas
Não transporta tanques pesados. A capacidade de 40 veículos está limitada a blindados leves e médios. Para assalto anfíbio contra defesas fortificadas, seria necessário suporte de navios-tanque adicionais.
Velocidade limitada. 18 nós significa que não acompanha destróieres modernos em operações de alta velocidade. Precisa planejar deslocamentos com antecedência.
Defesa aérea dependente de escolta. Sozinho, depende apenas de sistemas de ponto (Phalanx, canhões 30mm). Em ambiente de ameaça aérea intensa, necessita escolta com mísseis de longo alcance.
Críticas de especialistas
Alguns analistas questionam se o Brasil deveria ter investido em navio novo, projeto nacional ao invés de adquirir plataforma de 20 anos. Contraargumento: tempo de desenvolvimento seria 10+ anos e custo 5x maior.
Há também debate sobre a ausência de capacidade STOVL (aeronaves de pouso vertical como F-35B), presente em concorrentes modernos. O Atlântico está limitado a helicópteros e drones.

COMPARAÇÃO COM 3 CONCORRENTES
1. Juan Carlos I (L-61) — Espanha
Diferenças principais:
- Ski-jump para operação de F-35B e AV-8B Harrier
- Deslocamento maior (27.000 ton vs 21.500 ton)
- Capacidade de 150 veículos vs 40 do Atlântico
- Projeto de 2010 (12 anos mais novo)
Quem leva vantagem:
Juan Carlos I vence em:
- Poder aéreo — caças STOVL ampliam alcance de combate
- Capacidade de carga — quase 4x mais veículos
- Tecnologia — sistemas mais modernos
Atlântico vence em:
- Custo de aquisição — 4x mais barato
- Experiência operacional — histórico em combate real
- Disponibilidade — já em serviço vs projeto longo
Cenário ideal para cada:
- Juan Carlos I: operações de combate de alta intensidade com superioridade aérea
- Atlântico: operações anfíbias de médio porte, missões humanitárias, presença naval
2. USS America (LHA-6) — Estados Unidos
Diferenças principais:
- Gigante absoluto: 45.000 toneladas (dobro do Atlântico)
- Capacidade para 20 F-35B + helicópteros
- Sistema de armas Mk 41 VLS com mísseis de longo alcance
- Custo de US$ 3,4 bilhões (30x o Atlântico)
Quem leva vantagem:
USS America domina em:
- Tudo relacionado a combate — poder de fogo, defesa, capacidade aérea
- Tecnologia — radares SPY-1, sistemas integrados de última geração
- Capacidade de transporte — 1.687 fuzileiros + 380 veículos
Atlântico vence em:
- Custo-benefício — diferença absurda de preço
- Adequação à realidade brasileira — missões regionais não exigem superpotência
Cenário ideal para cada:
- USS America: projeção de força global, guerras de coalizão, combate de alta intensidade
- Atlântico: controle regional, operações Sul-Atlântico, missões humanitárias
3. Mistral (classe francesa) — França
Diferenças principais:
- Design puramente anfíbio (sem foco em defesa aérea)
- Capacidade similar: 450 tropas + 60 veículos
- Hangar para 16 helicópteros
- Hospital completo de 69 leitos integrado ao projeto
Quem leva vantagem:
Mistral vence em:
- Flexibilidade — conversão rápida entre papéis
- Hospital embarcado — superior para missões humanitárias
- Custo operacional — mais eficiente que o Atlântico
Atlântico vence em:
- Capacidade aérea — mais helicópteros e hangar maior
- Sistemas de combate — radar e CMS superiores
- Experiência — histórico de combate vs projeto focado em paz
Cenário ideal para cada:
- Mistral: operações de paz, evacuações médicas, ajuda humanitária
- Atlântico: operações anfíbias com componente de combate, controle de área

USO EM CONFLITOS
Sob bandeira britânica (1998-2018)
Operação Telic — Iraque, 2003: Serviu como plataforma de lançamento para helicópteros da Royal Marines Commandos durante a invasão inicial. Transportou tropas, veículos e equipamentos para o Golfo Pérsico, operando como base flutuante para operações de assalto.
Intervenção na Líbia — 2011: Atuou em operações de evacuação e apoio logístico durante o conflito civil. Coordenou missões de resgate de cidadãos estrangeiros e forneceu plataforma para operações de helicópteros Apache em apoio às forças terrestres.
Operações humanitárias:
- Serra Leoa (2000): Evacuação de civis durante guerra civil
- Caribe (2017): Resposta ao furacão Irma com 40 toneladas de ajuda
- África Ocidental: Múltiplas missões de apoio a desastres
Sob bandeira brasileira (2018-presente)
O Atlântico não participou de combate pela Marinha do Brasil, refletindo a política externa pacífica do país. Seu emprego concentrou-se em:
Operações humanitárias:
- Enchentes em São Paulo (2023): Transporte de equipes de saúde e suprimentos
- Enchentes no Rio Grande do Sul (2024): Operação de grande escala com apoio logístico e coordenação de resgates
- Cúpula da Amazônia (2023): Plataforma diplomática e logística
Exercícios multinacionais:
- Operação Aspirantex: Treinamento de cadetes
- Operação Poseidon: Exercício de guerra anfíbia
- ADEREX AERNAV (2025): Lançamento de armas e operações aéreas contínuas
Uso estratégico: O Atlântico demonstra presença naval brasileira no Atlântico Sul, reforçando reivindicações territoriais e capacidade de resposta rápida. Atua como símbolo de poder e instrumento diplomático em visitas de estado.
CUSTO E PRODUÇÃO
Custo de aquisição: £84,6 milhões (R$ 359,5 milhões / US$ 113,2 milhões em 2018)
Este valor é extraordinariamente baixo para um navio desse porte. Para comparação:
- Mistral francês novo: €400-500 milhões
- Juan Carlos I: €462 milhões
- USS America: US$ 3,4 bilhões
Custo de construção original (1994-1998): Estimado em £250+ milhões
Custos operacionais anuais: Não divulgados oficialmente, mas especialistas estimam R$ 50-80 milhões/ano incluindo:
- Tripulação e pessoal
- Combustível
- Manutenção de rotina
- Suporte técnico BAE Systems
Unidades produzidas: 1 (única) — projeto específico da Royal Navy
Países operadores:
- Reino Unido (1998-2018)
- Brasil (2018-presente)
Contratos de manutenção:
- BAE Systems (2022): 5 anos de suporte ao Artisan e DNA2
- Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro: Manutenções gerais

FUTURO DO VEÍCULO
Modernizações planejadas
Programa de atualização do CMS DNA2 (2022-2027):
- Substituição de componentes obsoletos
- Integração com novos sistemas de armas
- Compatibilidade com drones de reconhecimento
- Melhorias em guerra eletrônica
Adaptação para aeronaves não tripuladas: A reclassificação para NAM em 2020 sinaliza intenção de operar:
- Drones de reconhecimento marítimo
- Possíveis UCAVs (drones de combate)
- Aeronaves tilt-rotor futuras
Melhorias em capacidade de comando:
- Sistemas de comunicação satelital avançados
- Integração com rede de defesa brasileira
- Compatibilidade com sistemas OTAN para exercícios conjuntos
Vida útil estimada
Projeção conservadora: Até 2035-2040
O navio foi comissionado em 1998, passou por reforma profunda em 2012-2014, e foi transferido ao Brasil em 2018. Com manutenção adequada e modernizações contínuas, pode operar por mais 15-20 anos.
Fatores que influenciam:
- Estrutura de casco em bom estado
- Sistemas principais modernizados recentemente
- Custo de substituição proibitivo (€1+ bilhão para projeto novo)
- Necessidade estratégica brasileira contínua
Substituto planejado
Não há programa oficial de substituição anunciado pela Marinha do Brasil.
Cenários possíveis:
- Extensão de vida além de 2040 com mais reformas
- Projeto nacional de navio anfíbio iniciado na década de 2030
- Aquisição de plataforma estrangeira moderna (improvável por restrições orçamentárias)
- Mudança doutrinária para capacidades distribuídas ao invés de plataforma única
Realidade: Considerando orçamento de defesa brasileiro e prioridades estratégicas, o Atlântico provavelmente permanecerá em serviço até 2040+, tornando-se um dos navios com maior tempo de serviço ativo da história naval brasileira.
(FAQ)
1. O NAM Atlântico pode operar caças como o F-35?
Não. O Atlântico não possui ski-jump nem sistemas de pouso vertical necessários para aeronaves STOVL. É limitado a helicópteros e drones. Para operar F-35B, seria necessária reforma estrutural massiva que custaria mais que um navio novo.
2. Quantos helicópteros o Atlântico pode carregar simultaneamente?
Até 18 helicópteros operacionais no convés e hangar combinados. Em configuração de transporte, pode levar até 30 helicópteros desmontados. A operação simultânea está limitada a 6-8 helicópteros devido a espaço no convés de voo.
3. O NAM Atlântico participou de alguma guerra?
Como HMS Ocean (Royal Navy), sim — Iraque (2003) e Líbia (2011). Como NAM Atlântico (Marinha do Brasil), não participou de combate, focando em operações humanitárias e exercícios militares.
4. Quanto custa manter o NAM Atlântico operacional por ano?
Estimativas não oficiais apontam R$ 50-80 milhões/ano, incluindo tripulação, combustível, manutenção e suporte técnico. O contrato com a BAE Systems sozinho representa investimento significativo.
5. O Atlântico pode ser afundado por um único míssil?
Não facilmente. Possui compartimentação estanque avançada, sistemas Phalanx CIWS, contramedidas eletrônicas e capacidade de controle de avarias. Um único míssil antinavio causaria danos, mas dificilmente afundamento. No entanto, em cenário de guerra de alta intensidade, necessita proteção de escolta com defesa aérea de área.

O NAM Atlântico representa muito mais que 21.500 toneladas de aço navegando no Atlântico Sul.
Ele é a materialização da capacidade brasileira de projetar poder além de suas fronteiras marítimas. É o único navio latino-americano com histórico comprovado em conflitos reais. É a plataforma que permite ao Brasil liderar operações multinacionais, responder a crises humanitárias em larga escala e manter presença estratégica em uma das áreas oceânicas mais importantes do mundo.
Sua importância estratégica transcende números de deslocamento ou quantidade de helicópteros. O Atlântico é símbolo de soberania — a capacidade de agir independentemente quando interesses nacionais estão em jogo.
Mesmo com limitações — velocidade moderada, ausência de capacidade STOVL, custos operacionais elevados — o navio continua sendo a espinha dorsal da capacidade anfíbia brasileira. Nenhum outro ativo naval do país consegue combinar comando, transporte de tropas, operações aéreas e apoio logístico em uma única plataforma.
Nos próximos 15-20 anos, enquanto permanecer em serviço, o Atlântico continuará sendo instrumento fundamental da política externa brasileira — seja evacuando cidadãos de zonas de conflito, liderando missões de paz, ou simplesmente navegando águas internacionais como lembrança visual da capacidade naval brasileira.
Seu legado já está garantido: transformou o Brasil em uma das poucas nações do hemisfério sul com capacidade real de projeção de força anfíbia. E isso, em um século XXI cada vez mais marítimo, faz toda a diferença.

Joseli Lourenço
Pesquisadora independente de história e tecnologia militar, dedicada a documentar os marcos e as inovações que transformaram os campos de batalha.
Continue explorando >

X-59: A Aposta de US$ 630 Milhões da NASA Para Trazer de Volta Voos Supersônicos
A NASA aposta US$ 630 milhões em tecnologia que pode revolucionar voos comerciais acima de Mach 1 – sem o estrondo que enterrou o Concorde. O Projeto Que Pode Reescrever as Regras do Voo Supersônico

Por dentro do maior navio de guerra da Marinha do Brasil
O maior navio de guerra da América Latina carrega 21.500 toneladas de poderio naval. Da Royal Navy britânica para a capitânia da Marinha do Brasil, esta plataforma anfíbia redefine a projeção de poder regional. O

Guerra do Vietnã: O Conflito que Dividiu uma Nação e Transformou o Mundo
De 1955 a 1975, o Vietnã viveu o conflito mais devastador do século XX. Mais de 3 milhões de mortos, uma superpotência derrotada e um país dividido entre comunismo e capitalismo. Esta é a história

A cidade que Hitler não podia vencer (e o que isso custou)
A Batalha de Stalingrado foi o maior e mais sangrento embate da Segunda Guerra Mundial, um ponto de virada decisivo que enterrou o mito da invencibilidade alemã. Lá, em meio a escombros, inverno extremo e milhares de
