MH-53E Sea Dragon é o maior e mais pesado helicóptero da Marinha dos EUA
O maior helicóptero de combate do Ocidente não ataca nem bombardeia. Ele faz algo muito mais perigoso: limpa campos minados invisíveis debaixo d’água enquanto carrega toneladas de equipamento.

Quando você pensa em helicópteros militares, provavelmente imagina Apache atirando mísseis ou Black Hawks desembarcando tropas em zona quente. Mas existe um gigante muito menos glamoroso fazendo um trabalho que ninguém vê, e que pode decidir o destino de uma invasão naval inteira.
O MH-53E Sea Dragon é esse gigante. Desenvolvido pela Sikorsky para a Marinha dos Estados Unidos, ele nasceu de uma necessidade crítica: minas navais matam navios caros e tripulações inteiras em silêncio. Durante a Guerra do Golfo, minas baratas de fabricação soviética quase afundaram cruzadores americanos. A resposta? Um helicóptero capaz de voar por horas sobre o oceano, rebocando equipamentos de 11 toneladas para detectar e neutralizar essas ameaças antes que façam estrago.
Ainda em operação (embora com os dias contados), o Sea Dragon representa uma era de engenharia bruta, onde tamanho, potência e resistência importavam mais que furtividade ou tecnologia de ponta. Ele é o último de uma geração de aeronaves que fazem o trabalho sujo para que frotas inteiras possam operar em segurança.

O Que É Exatamente Este Helicóptero?
Um Monstro com Propósito Claro
O MH-53E não é um helicóptero de ataque. Não carrega mísseis guiados ou canhões rotativos de última geração. Ele é uma plataforma de guerra contra minas aerotransportada (AMCM, na sigla em inglês) e um caminhão voador para cargas pesadíssimas.
Pense assim: enquanto caças e bombardeiros chamam atenção, o Sea Dragon trabalha nos bastidores, garantindo que porta-aviões, destróieres e navios de assalto anfíbio consigam chegar onde precisam sem explodir em pedaços.
Papel no Campo de Batalha
Sua função principal? Detectar, varrer e neutralizar minas submarinas antes que a frota passe por uma área. Ele faz isso rebocando equipamentos especializados que “imitam” a assinatura magnética de um navio, detonando minas de forma controlada, ou usando sonar para mapear o fundo do mar e encontrar explosivos escondidos.
Missão secundária? Transportar até 16 toneladas de carga ou 55 soldados entre navios e terra firme. Quando um porta-aviões precisa de um motor de caça urgentemente, ou quando fuzileiros navais precisam ser deslocados rápido, o Sea Dragon entra em ação.
Desenvolvimento e História
A Ameaça Invisível que Mudou Tudo
Nos anos 70 e 80, algo ficou muito claro para estrategistas navais: minas marítimas são baratas, mortais e quase impossíveis de detectar. Países com orçamentos militares modestos podiam bloquear estreitos inteiros com campos minados. Navios de bilhões de dólares podiam ser afundados por explosivos de algumas dezenas de milhares.
A Guerra do Vietnã, conflitos no Oriente Médio e a própria Guerra Fria mostraram que controlar o acesso naval exigia uma solução aérea, rápida e de longo alcance. Helicópteros menores não tinham autonomia nem capacidade de reboque. Navios especializados eram lentos demais.
Nascimento do Dragão dos Mares
A Sikorsky Aircraft pegou sua plataforma mais robusta, o CH-53E Super Stallion (um helicóptero de transporte pesado com três motores), e o transformou. Adicionaram tanques laterais gigantes (os “sponsons”), que mais que dobraram a capacidade de combustível. Reforçaram a estrutura interna para aguentar o estresse de rebocar equipamentos de mais de 10 toneladas submersos.
Cronologia do Desenvolvimento:
| Data | Marco |
|---|---|
| Início da década de 1980 | Início do projeto baseado no CH-53E |
| 23 de dezembro de 1981 | Primeiro voo do protótipo MH-53E |
| Junho de 1986 | Entrada oficial em serviço operacional |
| Anos 90-2000 | Participação em operações no Golfo Pérsico |
| 2017 | Japão aposenta sua frota de 11 unidades |
| 2025 em diante | Aposentadoria gradual planejada pela US Navy |
O Que Ele Substituiu?
Antes do Sea Dragon, a Marinha americana usava o MH-53D Sea Stallion, uma versão anterior com menos potência, menor autonomia e capacidade de carga limitada. O MH-53E foi um salto gigantesco em termos de alcance, resistência e capacidade de reboque.

Design e Construção: Engenharia Bruta para Trabalho Pesado
Materiais e Estrutura
O Sea Dragon é construído em liga leve de alumínio com reforços estruturais em pontos críticos, especialmente na fuselagem traseira onde ficam os sistemas de reboque e o gancho de carga externa. Não tem blindagem pesada como um Apache, porque não foi feito para combate direto. Sua proteção vem de redundância de sistemas e robustez mecânica.
Os Tanques Laterais Gigantes
A característica visual mais marcante? Aqueles dois “barrigões” laterais pendurados na fuselagem. Esses sponsons não são só tanques de combustível, são a razão pela qual o MH-53E pode ficar 5 a 6 horas no ar rebocando equipamentos pesados sobre o oceano. Isso é crucial, porque varredura de minas não é rápida, você precisa cobrir áreas enormes em velocidade controlada.
Furtividade? Esqueça.
Este helicóptero não foi feito para ser discreto. Ele é barulhento, grande e deixa uma assinatura térmica considerável por causa dos três motores General Electric T64-GE-419 funcionando a plena carga. Mas isso não importa, porque ele opera em ambientes onde a ameaça principal são minas, não mísseis antiaéreos avançados.
Sistemas de Proteção e Sobrevivência
Mesmo não sendo furtivo, o Sea Dragon tem sistemas defensivos importantes:
Proteção do MH-53E:
| Sistema | Função |
|---|---|
| Alerta de radar e IR | Detecta ameaças aproximando-se |
| Chaff e flares | Contramedidas contra mísseis |
| Três motores independentes | Redundância total de propulsão |
| Estrutura reforçada | Resistência a pousos forçados |
| Sistemas hidráulicos duplos | Backup em caso de falha |

Armamentos: Defesa, Não Ataque
Não Espere Mísseis Hellfire Aqui
O MH-53E não é um helicóptero de ataque. Ele não carrega bombas guiadas, mísseis ar-terra ou canhões automáticos de 30mm. Sua missão não envolve destruir alvos inimigos diretamente.
O Que Ele Carrega?
Dependendo da configuração operacional, pode montar uma metralhadora GAU-21 calibre .50 (12,7mm) na rampa traseira. Função? Defesa de curto alcance contra ameaças terrestres ou embarcações hostis durante missões de transporte de tropas. Alcance efetivo de aproximadamente 1.800 metros. Uso limitado a supressão de fogo leve, não combate aéreo.
Armamento Real: Equipamentos de Guerra Contra Minas
Os verdadeiros “armamentos” do Sea Dragon são os sistemas que ele reboca:
Mk 105
Função: Varredura magnética (detona minas magnéticas)
Peso aproximado: ~11 toneladas
AQS-14A
Função: Sonar de varredura lateral (detecta minas visuais)
Peso aproximado: ~3 toneladas
Mk 103
Função: Corta cabos de minas ancoradas mecanicamente
Peso aproximado: ~8 toneladas
Esses equipamentos são rebocados por cabos reforçados enquanto o helicóptero mantém altitude e velocidade constantes, varrendo o fundo do mar em busca de ameaças.
Tecnologia e Sistemas: Cérebro Analógico com Músculos Digitais
Navegação de Precisão Absoluta
Para rebocar equipamentos pesados submersos e manter rota exata sobre o oceano, o MH-53E usa GPS integrado com correção Doppler, Sistema de Navegação de Precisão (PNS) que combina radar, altímetro e inerciais, e acopladores automáticos de pairagem que permitem manter posição fixa mesmo com vento e ondas.
Isso pode parecer básico hoje, mas nos anos 80 era tecnologia de ponta para helicópteros de transporte.
Sensores e Radares
O Sea Dragon não tem radar de combate avançado, mas possui radar de navegação marítima para evitar obstáculos e monitorar clima, sistemas de telemetria para monitorar os equipamentos rebocados em tempo real, e câmeras e sensores visuais para operação noturna e baixa visibilidade.
Comunicação e Integração em Rede
Equipado com rádios UHF/VHF/HF para comunicação com navios e bases, Sistema IFF (Identification Friend or Foe) para evitar fogo amigo, e links de dados táticos que permitem coordenação com outros helicópteros e navios da frota.
Não é um sistema de combate integrado como em caças modernos, mas suficiente para missões de varredura coordenadas.
Guerra Eletrônica e Contramedidas
Sistemas de alerta de ameaça detectam radares de busca inimigos, mísseis aproximando-se e lasers de designação de alvo. Resposta automática com chaff (tiras metálicas que confundem radares) e flares (sinalizadores que desviam mísseis térmicos).
Automação e IA?
Aqui a coisa fica interessante. O MH-53E tem controles de voo automáticos que permitem manter altitude e velocidade constantes durante reboque, ajustes automáticos de potência para compensar carga variável, e pairagem automática sobre ponto fixo.
Mas não tem inteligência artificial no sentido moderno. É automação mecânica e eletrônica dos anos 80, não machine learning ou tomada de decisão autônoma.

Desempenho: O Que os Números Realmente Significam
Potência Bruta
Três motores General Electric T64-GE-419, cada um gerando 4.750 cavalos de potência. Isso dá um total combinado de 14.250 shp. Para comparação, um carro esportivo potente tem cerca de 500 cavalos. Este helicóptero tem quase 30 vezes mais potência.
Por quê? Porque ele precisa levantar 31,6 toneladas (peso máximo de decolagem) e ainda ter reserva para rebocar equipamentos pesados.
Velocidade e Alcance
Velocidade de cruzeiro de 150 nós (~278 km/h). Não é rápido para padrões de helicópteros de ataque (um Apache chega a 290 km/h), mas velocidade não é o objetivo. Estabilidade e resistência são.
Alcance máximo de 1.050 milhas náuticas (~1.944 km). Com tanques cheios, ele pode voar de São Paulo até quase Brasília sem reabastecer. Em termos navais, isso significa operar longe da costa ou entre grupos de batalha distantes.
Capacidade de Carga
Capacidades de Transporte:
| Tipo de Carga | Capacidade Máxima |
|---|---|
| Tropas equipadas | 55 soldados |
| Carga interna | ~14,5 toneladas |
| Carga externa (gancho) | ~16 toneladas |
| Reboque AMCM sustentado | ~11 toneladas |
Para contextualizar: 16 toneladas é o peso de 3 SUVs grandes ou um caminhão carregado. E ele levanta isso no ar.
Teto de Serviço e Limitações
Altitude operacional de aproximadamente 3.050 metros (10.000 pés). Não voa alto como um Chinook em montanhas do Afeganistão, mas não precisa. Missões de varredura de minas são sobre o mar, em altitudes baixas.
Limitações claras incluem manobrabilidade limitada com carga máxima, alta exigência de espaço para pouso (precisa de convés grande ou heliponto reforçado), e custo operacional altíssimo por hora de voo.
Ficha Técnica Completa
Especificações do MH-53E Sea Dragon:
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| País de Origem | Estados Unidos |
| Fabricante | Sikorsky Aircraft (Lockheed Martin) |
| Peso Vazio | ~15.070 kg |
| Peso Máximo | ~31.638 kg |
| Motor/Propulsão | 3× GE T64-GE-419 turboshaft (4.750 shp cada) |
| Comprimento Total | 30,2 m (com rotores) |
| Comprimento Fuselagem | 22,3 m |
| Altura | 8,64 m |
| Diâmetro do Rotor | 24,08 m |
| Tripulação | 2 pilotos + 1 a 6 operadores |
| Ano de Introdução | 1986 |
| Status Atual | Ativo (aposentadoria planejada) |

Vantagens e Pontos Fortes
Por Que Ele É Respeitado (Não Temido)
O MH-53E não inspira medo como um bombardeiro furtivo ou um tanque de batalha. Ele inspira respeito porque faz algo que ninguém mais faz tão bem.
Maior Capacidade de Carga Aérea da Marinha dos EUA
Nenhum outro helicóptero naval americano carrega tanto peso por tanta distância. Quando um porta-aviões precisa de peças pesadas urgentemente, é o Sea Dragon que vai buscar.
Único Helicóptero AMCM Dedicado
Durante décadas, foi a única plataforma aérea capaz de varrer minas de forma eficaz em larga escala. Outros helicópteros podem fazer isso, mas não com a mesma eficiência e alcance.
Alcance e Autonomia Incomparáveis
Pode operar centenas de quilômetros longe da costa por horas seguidas. Isso significa que grupos de batalha naval não precisam se aproximar perigosamente de águas minadas.
Versatilidade em Missões de Sustentação
Além de varrer minas, ele transporta tropas, evacuação médica de massa, entrega de suprimentos pesados e até resgate em alto-mar quando necessário.
Onde Ele Se Destaca Absolutamente
Operações anfíbias de grande escala, limpando praias minadas antes de desembarques. Sustentação logística naval, movendo cargas impossíveis para helicópteros menores. Guerra de minas em estreitos e portos, garantindo acesso seguro em áreas críticas como Estreito de Ormuz.
Limitações e Críticas
Custo Operacional Astronômico
Manter um MH-53E no ar é caríssimo. Três motores potentes consomem combustível em quantidades industriais. Manutenção de sistemas hidráulicos, transmissão e rotores exige equipes especializadas e peças caras. Estimativa: custo por hora de voo pode ultrapassar US$ 20.000, sem contar manutenção programada e reformas.
Manutenção Complexa e Demorada
A frota de MH-53E tem taxa de disponibilidade notoriamente baixa. Em alguns períodos, menos de 50% das aeronaves estavam prontas para missão.
Problemas Comuns de Manutenção:
| Problema | Causa |
|---|---|
| Trincas estruturais | Estresse de reboque contínuo |
| Falhas hidráulicas | Desgaste em ambiente marítimo |
| Transmissões desgastadas | Operação em condições corrosivas |
| Baixa disponibilidade de peças | Idade da frota e produção encerrada |
Idade e Tecnologia Ultrapassada
O design básico é dos anos 80. Aviônicos analógicos foram parcialmente modernizados, mas a arquitetura fundamental é antiga. Isso significa dificuldade crescente para encontrar peças de reposição, sistemas digitais modernos difíceis de integrar, e consumo de combustível ineficiente comparado a turbinas modernas.
Vulnerabilidade em Ambientes de Alta Ameaça
O Sea Dragon não foi feito para voar sob fogo antiaéreo pesado. Em cenários com sistemas SAM (mísseis superfície-ar) modernos ou caças inimigos, ele precisa de escolta e supressão de defesas aéreas. Não tem furtividade radar, velocidade para evasão, nem sistemas de guerra eletrônica ofensiva.
Críticas de Especialistas
Analistas militares apontam risco elevado de acidentes (a frota tem histórico de incidentes, alguns fatais), dependência excessiva de uma plataforma única (perder um Sea Dragon em missão crítica pode comprometer operações inteiras), e custo-benefício questionável (com UAVs e sistemas autônomos avançando, manter helicópteros tripulados tão caros para AMCM está sendo reavaliado).

Comparação com Concorrentes
1. CH-53K King Stallion (EUA)
Diferenças principais: Motores mais potentes (3× GE38-1B com 7.500 shp cada vs. T64-GE-419 do MH-53E), capacidade de carga de ~13,6 toneladas externa com maior eficiência, aviônicos digitais modernos (cockpit glass, fly-by-wire completo), e menor custo operacional graças a turbinas mais eficientes.
Quem leva vantagem: Para transporte pesado moderno, o CH-53K vence. Para AMCM dedicado, o MH-53E ainda tem vantagem até que o King Stallion seja adaptado. Para sustentabilidade de longo prazo, o CH-53K domina completamente.
2. MH-60S Seahawk (EUA)
Diferenças principais: Muito menor (~4 toneladas de carga vs. 16 do MH-53E), pode usar sistemas de varredura modernos (Mk 18 Mod 1 Swordfish) mas com menor alcance e capacidade, custo operacional bem mais barato por hora de voo, e maior versatilidade (faz ASW, transporte, busca e resgate).
Quem leva vantagem: Para cargas pesadas e reboque intenso, MH-53E domina. Para operações de rotina e custo-benefício, MH-60S é melhor escolha. Para flexibilidade de missão, MH-60S opera em mais cenários.
3. NH90 NFH (Europa)
Diferenças principais: Capacidade de carga de apenas ~4,5 toneladas vs. 16 do MH-53E, tecnologia embarcada com sistemas digitais avançados mas plataforma menor, foco em ASW e patrulha (não AMCM pesado), e alcance de ~800 km vs. ~1.944 km do Sea Dragon.
Quem leva vantagem: Para guerra de minas de larga escala, MH-53E não tem rival. Para operações navais diversificadas, NH90 é mais versátil. Para modernidade e facilidade de manutenção, NH90 vence.
MH-53E
Carga máxima: 16 toneladas
Alcance: 1.944 km
AMCM dedicado: Excelente
Custo por hora: Alto
Tecnologia: Anos 80
CH-53K
Carga máxima: 13,6 toneladas
Alcance: 830 km
AMCM dedicado: Adaptável
Custo por hora: Moderado
Tecnologia: Moderna
MH-60S
Carga máxima: 4 toneladas
Alcance: 834 km
AMCM dedicado: Limitado
Custo por hora: Baixo
Tecnologia: Moderna

Uso em Conflitos e Operações Reais
Operação Desert Storm (Guerra do Golfo, 1991)
O MH-53E teve seu batismo de fogo operacional durante a Operação Desert Storm. Minas iraquianas (muitas de fabricação soviética) ameaçavam navios da coalizão no Golfo Pérsico.
Missões executadas incluíram varredura de campos minados em rotas de acesso a portos kuwaitianos, limpeza de áreas de aproximação para navios de assalto anfíbio, e transporte de equipamentos pesados de desminagem para bases avançadas.
Resultado estratégico: graças ao trabalho dos Sea Dragons, nenhum navio de grande porte da coalizão foi afundado por minas, apesar das centenas espalhadas pelo Iraque.
Operações Humanitárias e de Estabilização
Embora não sejam “conflitos” no sentido clássico, o MH-53E participou de operações na Somália (1993) com transporte de suprimentos humanitários e equipamentos pesados, no Haiti (1994) para apoio logístico em operação de restauração de governo democrático, e no Tsunami do Oceano Índico (2004) entregando água, alimentos e geradores em áreas isoladas.
Operações Contínuas no Golfo Pérsico
Durante décadas, unidades de MH-53E mantiveram patrulhas de varredura de minas em águas do Golfo, especialmente próximo ao Estreito de Ormuz, garantindo que rotas comerciais de petróleo permanecessem abertas.
Missões de Resgate em Alto-Mar
Embora não seja sua função primária, o Sea Dragon já foi usado em operações de busca e resgate (SAR) quando sua capacidade de carga e alcance eram necessárias, como evacuações médicas de massa de navios ou plataformas offshore.
Tipo de Emprego Estratégico
O MH-53E nunca foi usado como plataforma de ataque direto. Seu papel é capacitador estratégico: permite que frotas operem em águas potencialmente minadas, reduz dependência de portos capturados (pode entregar cargas diretamente de navio para terra), e garante acesso seguro antes de operações anfíbias de grande escala.
Custo e Produção
Custo Unitário Estimado
Não há valor oficial exato para o MH-53E isoladamente, mas estimativas baseadas em programas similares sugerem custo de aquisição (anos 80) de aproximadamente US$ 25-30 milhões por unidade, custo ajustado para 2025 de cerca de US$ 50-60 milhões (considerando inflação e upgrades).
Para comparação, um MH-60S Seahawk novo custa ~US$ 28 milhões, enquanto um CH-53K King Stallion moderno custa ~US$ 87 milhões.
Quantidade Produzida e Operadores
Total fabricado: aproximadamente 50 unidades MH-53E foram construídas.
Países Operadores:
| País | Unidades | Status |
|---|---|---|
| Estados Unidos (US Navy) | ~28 ativas | Em operação |
| Japão (JMSDF) | 11 | Aposentadas em 2017 |
Esquadrões da US Navy incluem HM-12 “Sea Dragons” (desativado), HM-14 “Vanguard”, e HM-15 “Blackhawks”.
Produção Encerrada
A linha de produção do MH-53E foi fechada nos anos 90. Desde então, a Marinha dos EUA tem mantido a frota através de programas de extensão de vida útil (SLEP), atualização parcial de sistemas, e canibalização de aeronaves menos utilizadas para peças.
O Futuro
Aposentadoria Gradual em Andamento
A US Navy já anunciou que o MH-53E será completamente retirado de serviço nos próximos anos. A data exata varia conforme orçamentos e disponibilidade de substitutos, mas o consenso é até 2028-2030.
Substitutos Planejados
Para transporte pesado e VOD, o CMV-22B Osprey (aeronave tiltrotor com maior velocidade e alcance) e o CH-53K King Stallion (pode assumir parte das missões de carga pesada com maior eficiência) entrarão em ação.
Para AMCM, o MH-60S Seahawk com sistemas modulares (equipado com drones e equipamentos de guerra de minas mais modernos) e sistemas não tripulados (UAVs e UUVs) representam a tendência crescente de usar drones aéreos e submarinos autônomos para varredura de minas, reduzindo risco humano.
Modernizações Finais
Enquanto ainda está em serviço, alguns MH-53E recebem atualização de aviônicos para compatibilidade com sistemas de comunicação modernos, reforço estrutural em pontos críticos identificados após décadas de operação, e instalação de sistemas de contramedidas eletrônicas mais eficazes.
Quanto Tempo Deve Continuar em Serviço?
Estimativa realista: entre 2 a 5 anos (até ~2028-2030), dependendo de velocidade de entrada em serviço dos substitutos, orçamento da Marinha para manutenção da frota antiga, e necessidades operacionais urgentes (se houver conflito de larga escala, podem adiar aposentadoria).
(FAQ)
1. Qual é o helicóptero militar mais pesado do mundo?
O MH-53E Sea Dragon está entre os maiores, mas o Mil Mi-26 russo é tecnicamente mais pesado. Entre helicópteros ocidentais, o Sea Dragon e o CH-53K King Stallion são os líderes.
2. O MH-53E Sea Dragon ainda está em operação?
Sim, ainda está ativo na US Navy em 2025, mas em números reduzidos e com aposentadoria planejada para os próximos anos.
3. Quantas toneladas o MH-53E pode carregar?
Até 16 toneladas de carga externa (gancho) e aproximadamente 14,5 toneladas de carga interna, dependendo da configuração e condições de voo.
4. Qual a diferença entre o MH-53E Sea Dragon e o CH-53E Super Stallion?
O MH-53E tem tanques laterais gigantes (sponsons) para maior autonomia, sistemas especializados para varredura de minas e navegação de precisão sobre o mar. O CH-53E é focado em transporte de tropas e carga.
5. Por que o MH-53E está sendo aposentado?
Idade avançada, custo operacional muito alto, dificuldade de manutenção e disponibilidade de tecnologias mais modernas (como drones autônomos para guerra de minas e helicópteros mais eficientes como o CH-53K).

O MH-53E Sea Dragon nunca foi a estrela dos shows aéreos ou o protagonista de documentários de guerra. Não dispara mísseis espetaculares nem faz manobras acrobáticas. Mas durante décadas, ele foi o guardião invisível das rotas marítimas americanas.
Enquanto porta-aviões e destróieres navegavam com confiança em águas contestadas, eram helicópteros como o Sea Dragon que varriam campos minados silenciosos, garantindo que frotas bilionárias não explodissem em pedaços por causa de minas de algumas dezenas de milhares de dólares.
Sua importância histórica não está em batalhas épicas, mas em capacitação estratégica. Ele permitiu que a Marinha dos EUA projetasse poder em qualquer oceano do mundo sem medo de bloqueios minados. Transportou toneladas de equipamento vital quando nenhum outro helicóptero conseguia. Salvou vidas em operações humanitárias quando velocidade e capacidade de carga eram questão de vida ou morte.
Hoje, com tecnologia ultrapassada e custos insustentáveis, o Sea Dragon caminha para aposentadoria. Mas seu legado permanece: às vezes, o trabalho mais importante é o que ninguém vê.

Joseli Lourenço
Pesquisadora independente de história e tecnologia militar, dedicada a documentar os marcos e as inovações que transformaram os campos de batalha.
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