USS Savannah, O Experimento Naval de US$ 60 Bilhões que Mudou a Guerra Moderna
A 47 nós de velocidade máxima, o USS Savannah opera onde navios maiores não entram. Com design trimarã e módulos que permitem rápida adaptação entre missões antissubmarino, guerra de superfície e desminagem, o navio simboliza a aposta da Marinha dos EUA em velocidade e flexibilidade. Mas essa estratégia será eficaz nos conflitos do século XXI?

A Nova Era da Guerra Litorânea
O USS Savannah (LCS-28) nasceu de uma necessidade urgente que emergiu após os conflitos no Golfo Pérsico e a Guerra Global contra o Terrorismo: operar em águas rasas, próximo a costas inimigas, onde ameaças assimétricas como barcos rápidos armados, minas navais e submarinos diesel-elétricos representam perigos mortais para navios convencionais.
Comissionado em 5 de fevereiro de 2022 em Brunswick, Geórgia, este navio é a 14ª unidade da variante Independence do programa LCS (Littoral Combat Ship) da Marinha dos Estados Unidos. Atualmente baseado em San Diego, Califórnia, o Savannah está em serviço ativo, operando principalmente na região do Indo-Pacífico.
Diferente de fragatas e destróieres tradicionais que buscam resistir a danos através de blindagem pesada, o LCS-28 adota uma filosofia radical: evitar ameaças através de velocidade superior, detecção precoce e manobrabilidade extrema. É um navio projetado para dominar o ambiente litorâneo onde 75% da população mundial vive a menos de 200 quilômetros da costa.

O Conceito Revolucionário do Trimarã de Combate
Tipo e Classificação
O USS Savannah é um Littoral Combat Ship (LCS), classificado como fragata leve ou navio de combate costeiro. Pertence à classe Independence, caracterizada pelo design trimarã único, onde um casco central é flanqueado por dois flutuadores laterais.
Função Principal e Papel no Campo de Batalha
O LCS-28 foi projetado para três missões modulares primárias, executadas através de pacotes de equipamentos intercambiáveis:
- Guerra Antisubmarina (ASW): detecção e neutralização de submarinos diesel-elétricos em águas rasas usando sistemas de sonar rebocados TACTAS e veículos subaquáticos não tripulados (UUVs).
- Contramedidas de Minas (MCM): localização e destruição de minas navais através de UUVs equipados com sensores especializados.
- Guerra de Superfície (SUW): engajamento de embarcações rápidas inimigas e navios de superfície com mísseis antinavio Naval Strike Missile (NSM) e canhões de 30mm e 57mm.
A filosofia operacional é clara: um navio pequeno, rápido e reconfigurável que pode assumir múltiplos papéis conforme a necessidade da missão, operando com tripulações duplas (Blue/Gold crews) em sistema rotativo para manter disponibilidade máxima no teatro de operações.
Desenvolvimento e História: Do Conceito ao Oceano
Origem do Programa LCS
O programa LCS foi lançado em novembro de 2001, quando a Marinha dos EUA percebeu que suas fragatas classe Oliver Hazard Perry, embora competentes, eram grandes e lentas demais para operar efetivamente em ambientes litorâneos contestados. A doutrina naval estava mudando: conflitos futuros não seriam travados apenas em oceano aberto, mas em águas costeiras densamente povoadas.
A ameaça era real. Em outubro de 2000, o destróier USS Cole foi severamente danificado por um pequeno barco explosivo no Iêmen, matando 17 marinheiros. Ficou claro que embarcações rápidas, minas baratas e submarinos diesel em águas rasas poderiam neutralizar navios de bilhões de dólares.
Construção do USS Savannah
O LCS-28 foi construído pela Austal USA em Mobile, Alabama, com sistemas de combate integrados pela Lockheed Martin. Sua construção foi notavelmente rápida para padrões navais modernos:
| Marco | Data |
|---|---|
| Autorização do Contrato | 23 de junho de 2017 |
| Início da Construção | 20 de setembro de 2019 |
| Lançamento ao Mar | 3 de setembro de 2020 |
| Entrega à Marinha | Junho de 2021 |
| Comissionamento | 5 de fevereiro de 2022 |
O tempo total de construção foi de aproximadamente 3 anos, 12 meses mais rápido que navios anteriores do programa, demonstrando a maturação das técnicas de construção modular.
O Nome Savannah
Este é o sexto navio da US Navy a receber o nome Savannah, homenageando a cidade mais antiga da Geórgia e importante porto estratégico no Atlântico. O motto do navio, “Not for self, but for others” (“Não para si, mas para os outros”), reflete sua missão de proteção e presença naval.
Design e Construção: Engenharia Trimarã de Alta Velocidade
O Conceito Trimarã
O design trimarã do USS Savannah é sua característica mais distintiva. Ao contrário de navios de casco único (monohull), ele possui um casco central de aço flanqueado por dois flutuadores de alumínio. Essa configuração oferece vantagens cruciais:
- Estabilidade excepcional: a largura de 31,6 metros proporciona plataforma estável para operações de voo, mesmo em mar agitado.
- Velocidade superior: menor resistência hidrodinâmica permite velocidades acima de 40 nós (74 km/h).
- Calado reduzido: apenas 4,27 metros de profundidade permitem acesso a portos rasos e operações próximas à costa.
- Deck de voo amplo: espaço para operar simultaneamente 2 helicópteros MH-60R/S ou 1 helicóptero mais 3 drones MQ-8 Fire Scout.
Materiais e Proteção
A superestrutura é construída em alumínio sobre casco de aço, uma escolha que reduz peso mas gera controvérsias. O navio possui Nível 1 de Sobrevivência, o padrão mais baixo da Marinha dos EUA para navios de combate.
Em vez de blindagem pesada, o Savannah adota estratégia de “sobrevivência por evasão”: detectar ameaças cedo, mover-se rapidamente e usar contramedidas eletrônicas. O sistema inclui:
- Lançadores SRBOC para chaff e decoys infravermelhos
- Sistema NULKA de decoy ativo de radar contra mísseis antinavio
- Compartimentação interna para controle de danos

Letalidade Modular e Adaptável
Armamento Principal Integrado
O USS Savannah possui armamento básico permanente complementado por módulos de missão intercambiáveis:
- Canhão Mk 110 de 57mm: arma principal de superfície, capaz de disparar munições guiadas Vulcan-Airburst contra embarcações rápidas e alvos aéreos de baixa altitude. Alcance efetivo de aproximadamente 9 km.
- Sistema SeaRAM: defesa pontual com 11 células de mísseis RIM-116 Rolling Airframe Missile para interceptação de mísseis antinavio e aeronaves inimigas em última linha de defesa.
- 4 Metralhadoras .50 cal (12,7mm): posicionadas 2 na proa e 2 na popa para defesa contra embarcações pequenas e proteção de perímetro.
Módulo de Guerra de Superfície (SUW)
Quando configurado para guerra de superfície, o LCS-28 recebe equipamento adicional:
- 2 Canhões Mk44 Bushmaster II de 30mm em torres operadas remotamente
- Até 8 Mísseis AGM-114L Hellfire para engajamento de embarcações rápidas
- 2 Mísseis Naval Strike Missile (NSM): mísseis antinavio subsônicos de alcance superior a 185 km (100 milhas náuticas), capazes de voo rasante e evasão autônoma.
Capacidade Experimental: Lançamento de Mísseis SM-6
Em outubro de 2023, o USS Savannah fez história ao se tornar o primeiro LCS a lançar com sucesso um míssil SM-6 (Standard Missile 6) usando um sistema de lançamento containerizado MK 70 Mod 1 montado na mission bay.
O SM-6 é um míssil de defesa antiaérea de alcance estendido (superior a 240 km) que também pode atacar navios de superfície. Esta capacidade demonstra a modularidade extrema do conceito LCS: transformar um navio leve em plataforma de lançamento de mísseis estratégicos sem modificações estruturais permanentes.
Tecnologia e Sistemas: Cérebro Eletrônico de Combate
Sensores e Radares
O sistema de sensores do USS Savannah representa o estado da arte em detecção naval:
- SAAB Sea Giraffe AMB 3D: radar de vigilância multifuncional de banda C capaz de rastrear simultaneamente centenas de alvos aéreos e de superfície em ambiente litorâneo complexo. Alcance de detecção superior a 180 km para alvos aéreos.
- Sperry Marine BridgeMaster-E: radar de navegação de alta resolução para manobras em águas congestionadas.
- Sistema Eletro-Óptico AN/KAX-2: combina câmeras de TV e infravermelho (FLIR) para identificação visual e térmica de alvos em todas as condições climáticas.
Sistema de Combate Integrado
O ICMS (Integrated Combat Management System) é derivado do sistema holandês TACTICOS e representa uma mudança filosófica fundamental. Construído com arquitetura aberta, permite integração de sensores e armas de diferentes fabricantes sem redesenvolvimento completo do sistema.
O sistema processa dados de radares, sonares, satélites e redes táticas, apresentando quadro operacional unificado para o comandante. Integração com Link 16 permite compartilhamento de dados táticos com outras unidades da frota e aeronaves.
Guerra Eletrônica e Comunicações
- Sistema AN/ES-3601: suporte de inteligência eletrônica (ESM) para detecção e análise de emissões de radar inimigas.
- Mastro Integrado LOS: concentra antenas de comunicação e guerra eletrônica em estrutura única.
- Redes C4I da US Navy: conectividade total com comando e controle, comunicações, computadores e inteligência da frota.
Automação e Redução de Tripulação
Alto grau de automação nos sistemas de propulsão, navegação e gerenciamento de energia permite operar com apenas 40 tripulantes no núcleo (8 oficiais, 32 graduados), comparado a 200+ em fragatas convencionais. Equipes de módulo de missão adicionam 35 pessoas conforme necessário.

Velocidade Extrema em Águas Rasas
O USS Savannah foi projetado para dominar o ambiente litorâneo através de desempenho superior, não força bruta. Seus números revelam uma plataforma otimizada para missões específicas:
Velocidade e Manobrabilidade
Com velocidade máxima superior a 40 nós (74 km/h) e picos de 47 nós em testes, o LCS-28 é um dos navios de combate mais rápidos do mundo. Para contexto: fragatas convencionais operam a 28-30 nós; o Savannah pode literalmente fugir da maioria dos navios de superfície adversários.
Essa velocidade vem do sistema de propulsão CODAG (Combined Diesel and Gas):
- 2 turbinas a gás General Electric LM2500 para alta velocidade
- 2 motores diesel MTU 20V 8000 para cruzeiro econômico
- 4 waterjets Wärtsilä que eliminam hélices expostas
Autonomia Operacional
Alcance de aproximadamente 4.300 milhas náuticas (7.963 km) a 20 nós. Isso significa que o Savannah pode navegar de San Diego até Pearl Harbor sem reabastecimento, mas não pode cruzar o Pacífico até o Japão sem apoio logístico.
A autonomia limitada é proposital: o conceito LCS prevê presença avançada, com o navio permanecendo em teatro por meses usando tripulações rotativas Blue/Gold, não fazendo longas travessias oceânicas repetidas.
Capacidade de Aviação
O deck de voo amplo e hangar permitem operar 2 helicópteros MH-60R/S simultaneamente ou 1 helicóptero tripulado mais múltiplos drones MQ-8 Fire Scout. Essa capacidade de aviação é excepcional para um navio deste tamanho e multiplica sua área de vigilância e alcance de ataque.
Ficha Técnica
| Especificação | Detalhes |
|---|---|
| País de Origem | Estados Unidos |
| Fabricante | Austal USA (Mobile, Alabama) |
| Classe | Independence (variante trimarã) |
| Comprimento | 127,4 metros (418 pés) |
| Boca (Largura) | 31,6 metros (104 pés) |
| Calado | 4,27 metros (14 pés) |
| Deslocamento | 3.104 toneladas (carga plena) |
| Propulsão | 2× GE LM2500 turbinas gás + 2× MTU diesel + 4× waterjets |
| Velocidade Máxima | 40+ nós (74 km/h), até 47 nós em testes |
| Alcance | 4.300 milhas náuticas (7.963 km) a 20 nós |
| Tripulação | 75 pessoas (40 núcleo + 35 módulo missão) |
| Comissionamento | 5 de fevereiro de 2022 |
| Custo Unitário | US$ 584 milhões (teto contratual) |
Vantagens e Pontos Fortes: Por Que Este Navio É Temido
1. Velocidade Incomparável
A velocidade de 40-47 nós não é apenas impressionante, é tática revolucionária. O Savannah pode:
- Fugir de torpedos (velocidade típica de 40-50 nós)
- Reposicionar-se 200 km em 2 horas
- Interceptar embarcações rápidas inimigas antes que ataquem alvos de alto valor
2. Modularidade de Missão
A capacidade de reconfigurar entre ASW, MCM e SUW em dias (teoricamente) significa que uma pequena frota de LCS pode assumir papéis que tradicionalmente exigiriam três tipos de navios especializados. O teste bem-sucedido do lançamento de SM-6 prova que o conceito funciona.
3. Acesso a Águas Restritas
Calado de apenas 4,27 metros permite operar em áreas onde destróieres (8-9m de calado) não podem entrar. No Mar da China Meridional, repleto de recifes e ilhas artificiais, isso é vantagem estratégica crítica.
4. Plataforma de Aviação Excepcional
Poucos navios deste tamanho podem operar 2 helicópteros simultaneamente. Com MH-60R equipados com torpedos e mísseis Hellfire, o Savannah projeta poder a dezenas de quilômetros além de seu próprio armamento.
5. Tripulação Reduzida e Custos Operacionais Menores
Com apenas 40 tripulantes no núcleo, comparado a 200+ em fragatas tradicionais, os custos de pessoal e logística são significativamente menores. O sistema de tripulação dupla Blue/Gold permite manter o navio em teatro por períodos prolongados.
Limitações e Críticas: Os Problemas Reais do Programa
1. Custo Explosivo e Questionável Retorno
O LCS-28 custou aproximadamente US$ 584 milhões, mas o custo operacional anual é de cerca de US$ 70 milhões, comparável a destróieres muito mais capazes. O programa total LCS custará mais de US$ 60 bilhões para 35 navios planejados.
Críticos argumentam que fragatas convencionais custam similar, mas oferecem capacidade de combate muito superior em ambientes de alta intensidade.
2. Sobrevivência Duvidosa em Combate Real
O Nível 1 de Sobrevivência significa que o navio não foi projetado para resistir a danos significativos. A superestrutura de alumínio é particularmente vulnerável:
- Alumínio queima em temperaturas muito mais baixas que aço
- Fragmentação de alumínio em explosões pode ferir tripulação
- Reparos estruturais são complexos e caros
Um único míssil antinavio poderia causar danos catastróficos. A estratégia de “evitar em vez de resistir” funciona apenas se os sensores detectarem a ameaça a tempo.
3. Problemas Mecânicos Recorrentes
O programa LCS sofreu com taxas de disponibilidade operacional abaixo do esperado. Sistemas de propulsão waterjet apresentaram falhas, turbinas tiveram problemas de confiabilidade e a complexidade dos módulos intercambiáveis nunca foi totalmente implementada.
4. Autonomia Limitada
Alcance de 4.300 milhas náuticas é adequado para operações regionais, mas insuficiente para travessias oceânicas sem reabastecimento frequente. Em conflito prolongado, isso cria vulnerabilidade logística.
5. Armamento Insuficiente para Combate de Alta Intensidade
Sem sistema de lançamento vertical (VLS) permanente, o LCS-28 carrega muito menos mísseis que fragatas convencionais. Em conflito contra marinha peer competitor (China, Rússia), seria rapidamente superado por navios com 32-48 células VLS.

Comparação com Concorrentes: LCS vs. Fragatas Modernas
Para contextualizar as capacidades do USS Savannah, vejamos como ele se compara a três concorrentes diretos:
1. Constellation-class (FFG-62), Estados Unidos
As novas fragatas Constellation foram projetadas especificamente para corrigir deficiências do LCS:
- Deslocamento: 7.300 toneladas (mais que o dobro do LCS-28)
- Armamento: 32 células VLS para mísseis Standard, ESSM, Tomahawk
- Velocidade: apenas 26 nós (muito mais lenta)
- Sobrevivência: Nível 2+ (muito superior)
- Vantagem FFG-62: capacidade de combate sustentado em ambientes de alta ameaça
Nota: O programa FFG-62 foi cancelado em novembro de 2025 após apenas 2 unidades iniciadas, revelando desafios próprios.
2. Type 054A, China
A fragata chinesa Type 054A é o principal adversário potencial do LCS-28 no Indo-Pacífico:
- Deslocamento: 4.050 toneladas
- Armamento: 32 células VLS HHQ-16 (mísseis antiaéreos) + 8 mísseis antinavio YJ-83
- Radar: Type 382 com varredura eletrônica
- Velocidade: 27 nós
- Vantagem Type 054A: poder de fogo muito superior
- Vantagem LCS-28: velocidade superior permite escolher engajamento
3. MEKO A-200, Alemanha/Internacional
Plataforma modular exportada para Turquia, Egito e outros países:
- Deslocamento: 3.700 toneladas
- Armamento: até 32 células VLS + canhão de 127mm
- Alcance: 7.200 milhas náuticas (67% superior ao LCS)
- Custo operacional: geralmente inferior ao LCS
- Vantagem MEKO A-200: melhor equilíbrio custo-benefício e autonomia
- Vantagem LCS-28: velocidade e capacidade de aviação

Uso em Conflitos e Operações Reais
Implantação no Indo-Pacífico
Embora não tenha participado de conflitos armados diretos, o USS Savannah tem histórico operacional significativo desde seu comissionamento em 2022:
- Implantação rotacional de 12 meses nas áreas de responsabilidade da 3ª e 7ª Frotas (2024-2025)
- Operações no Mar da China Meridional em dezembro de 2024, área de tensão com China
- Primeiro navio dos EUA a visitar Camboja em 8 anos (dezembro 2024), missão diplomática
- Manobras no Estreito de Balabac entre Mar de Sulu e Mar da China do Sul
Exercício BALIKATAN 2025
Em 2025, o Savannah participou do exercício bilateral EUA-Filipinas BALIKATAN, que incluiu:
- Exercícios de tiro de artilharia com forças filipinas
- Operações de busca e resgate (SAR) multinacionais
- Práticas VBSS (Visit, Board, Search and Seizure), abordagem e busca naval
- Integração com Marinha de Autodefesa do Japão e Guarda Costeira filipina
Emprego Estratégico
O uso operacional do LCS-28 reflete a doutrina de “presença avançada”: manter navio continuamente no teatro de operações com tripulações rotativas, demonstrando compromisso dos EUA com aliados e dissuadindo agressão através de presença visível. É guerra de informação tanto quanto militar.
O Programa Mais Controverso da Marinha
Custos de Aquisição
O USS Savannah foi contratado com teto de US$ 584 milhões em 2017. Esse valor inclui apenas o casco e sistemas básicos, sem contar os módulos de missão (US$ 50-100 milhões cada) ou custos de ciclo de vida.
Escopo de Produção
- Total planejado classe Independence: 19 navios (LCS-28 é o 14º)
- Programa LCS completo: 35 navios (19 Independence + 16 Freedom-class restantes)
- Custo total estimado: mais de US$ 60 bilhões incluindo módulos e suporte
- Operador exclusivo: United States Navy (sem exportações)
Descomissionamentos Precoces Polêmicos
Entre 2022-2024, a Marinha dos EUA anunciou descomissionamento precoce de vários LCS com menos de 10 anos de serviço, citando custos operacionais elevados e problemas mecânicos. Em janeiro de 2026, a Marinha reverteu parcialmente essa decisão, mantendo os LCS restantes especificamente para missões MCM (contramedidas de minas).
Essa volatilidade política revela as controvérsias do programa: custos crescentes, capacidades questionadas e mudanças de doutrina naval.
Futuro do Veículo: Evolução ou Extinção?
Modernizações em Andamento
- Programa Lethality & Survivability: upgrades classificados para melhorar letalidade e sobrevivência dos LCS em serviço
- Conversão para MCM especializado: foco atual da Marinha em transformar LCS remanescentes em plataformas dedicadas a contramedidas de minas
- Integração de veículos não tripulados: maior uso de UUVs e UAVs para estender alcance e reduzir risco à tripulação
Vida Útil Esperada
Originalmente projetado para 25 anos de serviço, mas decisões de descomissionamento precoce de outros LCS sugerem que alguns podem servir apenas 15-20 anos. O USS Savannah, sendo recente (2022) e tendo demonstrado capacidades avançadas (lançamento SM-6), provavelmente operará até aproximadamente 2040-2045.
Substitutos Planejados
A fragata Constellation-class (FFG-62) deveria substituir o LCS, mas o programa foi cancelado em novembro de 2025 após apenas 2 navios iniciados. A Marinha está agora desenvolvendo:
- FF(X) Light Frigate: nova classe de fragata leve ainda em concepção
- MUSV/NOMARS: veículos de superfície não tripulados de médio porte que trabalhariam com navios tripulados
O futuro sugere frota híbrida: alguns LCS convertidos para MCM, complementados por fragatas mais pesadas e veículos não tripulados. O conceito de navio pequeno, rápido e modular sobrevive, mas a implementação específica do LCS pode ter sido experimento que revelou mais lições do que sucessos.

(FAQ)
1. O USS Savannah ainda está em uso?
Sim. O USS Savannah (LCS-28) está em serviço ativo desde seu comissionamento em fevereiro de 2022. Atualmente baseado em San Diego, opera principalmente na região do Indo-Pacífico e não há planos anunciados para seu descomissionamento.
2. Ele é o navio de combate mais rápido da categoria?
Sim, para sua categoria. Com velocidade máxima superior a 40 nós (até 47 nós testados), o USS Savannah está entre os navios de combate de superfície mais rápidos em operação global. Apenas alguns patrulheiros de ataque pequenos (menos de 500 toneladas) são mais rápidos.
3. Quantos países operam este modelo?
Apenas os Estados Unidos. A classe LCS não foi exportada. Outros países têm fragatas leves com conceitos similares (modularidade, velocidade), mas o design trimarã Independence é exclusivo da US Navy.
4. Ele já foi usado em guerra?
Não. O USS Savannah nunca disparou em combate real. Suas operações incluem patrulhamento, exercícios militares, demonstrações de força e presença naval em áreas de tensão, mas não participou de conflitos armados. O programa LCS em geral não viu combate direto.
5. Existe versão de exportação?
Não. Não há planos para versão de exportação. O alto custo, complexidade tecnológica e problemas do programa tornam improvável que aliados comprem o design. Países interessados em fragatas modulares geralmente escolhem plataformas europeias como MEKO ou Gowind, que oferecem melhor custo-benefício.

O Experimento que Mudou a Guerra Naval
O USS Savannah (LCS-28) representa algo mais profundo que apenas um navio: ele simboliza a tentativa da Marinha dos Estados Unidos de reimaginar completamente o combate naval para o século XXI.
Com seu design trimarã de 47 nós, capacidade modular e foco em velocidade sobre blindagem, o LCS-28 desafiou décadas de doutrina naval que priorizava navios grandes, pesadamente armados e resistentes. A aposta: em um mundo de ameaças assimétricas, barcos explosivos e minas baratas, seria melhor ter muitos navios rápidos e flexíveis do que poucos gigantes vulneráveis.
Os resultados são complexos. O Savannah provou que pode lançar mísseis SM-6 de alcance estratégico, operar em águas onde destróieres não podem entrar, e manter presença avançada por meses usando tripulações rotativas. Mas também revelou custos operacionais comparáveis a navios maiores, problemas mecânicos recorrentes e vulnerabilidade estrutural preocupante.
Historicamente, o programa LCS será lembrado não como fracasso total, mas como experimento audacioso que ensinou lições valiosas. Ele demonstrou que modularidade funciona (teste do SM-6), que automação pode reduzir tripulação, e que presença avançada tem valor estratégico. Mas também mostrou que substituir capacidade bruta de combate por velocidade e flexibilidade tem limites.
Hoje, enquanto o USS Savannah patrulha o Mar da China Meridional, seu verdadeiro legado está sendo escrito nos pranchetas de engenheiros projetando a próxima geração de navios. Eles estudam o que o LCS acertou (modularidade, automação, presença avançada) e o que errou (custo, sobrevivência, alcance de armas).
O futuro da guerra naval provavelmente não será ou LCS ou fragatas pesadas, mas uma frota híbrida que combina navios tripulados de diferentes tamanhos com veículos não tripulados. Nesse futuro, o USS Savannah terá sido o corajoso primeiro passo que validou conceitos revolucionários, mesmo que a implementação específica não tenha sido perfeita.

Joseli Lourenço
Pesquisadora independente de história e tecnologia militar, dedicada a documentar os marcos e as inovações que transformaram os campos de batalha.
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