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F-35 Lightning II: O Caça Stealth Que Custou US$ 2 Trilhões

Ele custa US$ 2 trilhões, equipa 19 países e promete invisibilidade aos radares inimigos. O Lockheed Martin F-35 Lightning II não é apenas mais um caça de guerra. É o programa militar mais caro e complexo da história, uma aposta multibilionária na ideia de que a guerra do século 21 será vencida por quem vê primeiro e ataca sem ser visto.

F-35 Lightning II

A Aposta na Furtividade

O F-35 Lightning II nasceu de uma necessidade urgente dos anos 1990. A Guerra Fria havia terminado, mas uma nova ameaça surgiu: sistemas de defesa aérea cada vez mais sofisticados, capazes de detectar e destruir qualquer aeronave convencional.

Os Estados Unidos precisavam substituir uma frota envelhecida de F-16, F/A-18 e Harriers. Mas não queriam apenas aeronaves novas. Queriam algo revolucionário: um caça que pudesse penetrar em território inimigo sem ser detectado, destruir alvos críticos e retornar em segurança.

Dezenove países compraram a ideia. Juntos, investiram em um projeto ambicioso que promete manter a superioridade aérea ocidental até 2088. Mas será que o F-35 cumpre o que promete?

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

O Caça Invisível de Múltiplas Funções

O F-35 Lightning II é um caça multirole de quinta geração, monomotor e monoposto, projetado para executar praticamente qualquer missão de combate aéreo.

Ao contrário de caças tradicionais que se especializam em uma função, o F-35 foi desenhado para fazer tudo.

Missões Principais

Superioridade aérea: destruir caças inimigos em combate ar-ar
Ataque ao solo: bombardear alvos terrestres com precisão cirúrgica
Supressão de defesas: eliminar sistemas de mísseis antiaéreos
Reconhecimento: coletar inteligência em território hostil
Guerra eletrônica: interferir em comunicações e radares adversários

Sua arma secreta? Furtividade integral. Com uma assinatura de radar de apenas 0,005 m² (do tamanho de uma bola de golfe), o F-35 consegue se aproximar de alvos sem ser detectado por sistemas de defesa aérea convencionais.

As Três Variantes

F-35A (Força Aérea): decolagem e pouso convencionais
F-35B (Fuzileiros Navais): decolagem curta e pouso vertical
F-35C (Marinha): reforçado para operações em porta-aviões

Desenvolvimento e História: O Projeto Mais Caro da História

O caminho até o F-35 começou em 1995, quando o Pentágono lançou o programa Joint Strike Fighter (JSF).

A ideia era simples, mas ousada: criar uma única plataforma capaz de substituir múltiplos tipos de aeronaves em todas as forças armadas americanas e de países aliados.

A Competição

Duas gigantes da indústria aeroespacial competiram pelo contrato: Lockheed Martin e Boeing.

Cada empresa construiu protótipos demonstradores. A Lockheed apresentou o X-35, enquanto a Boeing desenvolveu o X-32.

Em 2001, a Lockheed Martin venceu a competição. Seu design oferecia melhor desempenho, especialmente na complexa variante de pouso vertical (F-35B).

Os Desafios do Desenvolvimento

O desenvolvimento do F-35 não foi tranquilo.

Entre 2001 e 2004, o programa enfrentou um problema crítico: sobrepeso. As aeronaves estavam pesadas demais para cumprir os requisitos de desempenho.

A solução veio através do SWAT (Strike Weight Attack Team), um esforço conjunto que redesenhou partes estruturais da aeronave.

F-35B perdeu: 1.360 kg
Outras variantes: 860 a 1.080 kg eliminados

O custo? US$ 6,2 bilhões e 18 meses de atraso.

Marcos Importantes

DataEvento
Out 2000Primeiro voo do X-35A demonstrador
Dez 2006Primeiro voo do F-35A de produção
Jul 2015F-35B declarado operacional (USMC)
Ago 2016F-35A declarado operacional (USAF)
Fev 2019F-35C declarado operacional (USN)
Mar 2024Autorização para produção em larga escala

Modelos Substituídos

O F-35 substituiu ou está substituindo:

F-16 Fighting Falcon → Força Aérea
A-10 Thunderbolt II → Apoio aéreo aproximado
AV-8B Harrier II → Fuzileiros Navais
F/A-18 Hornet → Marinha (versões antigas)

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

Design e Construção: A Ciência da Invisibilidade

O segredo do F-35 está em sua geometria.

Cada superfície, cada ângulo, cada painel foi calculado para dispersar ondas de radar em vez de refleti-las de volta ao emissor.

Furtividade Integral

A furtividade do F-35 não é um acessório. É parte fundamental do design.

Fuselagem facetada: superfícies planas e angulares redirecionam sinais de radar
Dutos em formato de “S”: escondem as pás do motor de radares frontais
Armamentos internos: mísseis e bombas ficam em compartimentos fechados
Revestimento RAM: materiais absorventes de radar cobrem a estrutura

O resultado? Uma assinatura de radar frontal de 0,005 m², milhares de vezes menor que caças convencionais.

Para comparação:

AeronaveAssinatura de Radar
F-35 Lightning II0,005 m²
F-16 Fighting Falcon1 a 5 m²
F/A-18 Hornet1 a 3 m²

O F-35 é praticamente invisível.

Materiais e Construção

O F-35 usa extensivamente materiais compósitos que combinam leveza com resistência.

Esses compósitos também absorvem energia de radar, tornando a aeronave ainda mais furtiva. Mas há um custo: são caros de produzir e exigem manutenção especializada.

Sistemas Defensivos

Além da furtividade passiva, o F-35 conta com sistemas defensivos ativos:

SistemaFunção
AN/AAQ-37 DASSeis câmeras infravermelhas com visão 360°
AN/ASQ-239 BarracudaGuerra eletrônica para neutralizar radares
AN/AAQ-40 EOTSSensor eletro-óptico para rastreamento

Curiosamente, o F-35 não usa flares (contramedidas térmicas tradicionais). Ele confia na furtividade e na guerra eletrônica para sobreviver.

Armamentos: Arsenal Interno e Externo

O F-35 carrega seus armamentos de duas formas: interna (para preservar furtividade) ou externa (para missões em espaço aéreo controlado).

Armamentos Internos

SistemaDescrição
GAU-22/ACanhão rotativo 25mm com 180 cartuchos
AIM-120 AMRAAMMíssil ar-ar de longo alcance (4 a 6 unidades)
AIM-9X SidewinderMíssil ar-ar de curto alcance
GBU-31 JDAMBomba guiada (2 unidades)
GBU-39 SDBBomba de pequeno diâmetro (múltiplas)

A capacidade interna total é de 2.600 kg. Parece pouco, mas é suficiente para missões de penetração stealth.

Capacidades de Carga

Tipo de CargaCapacidade
Interna2.600 kg
Externa6.800 kg
Total8.000 a 10.000 kg

Quando a furtividade não é prioridade, o F-35 pode carregar armamentos em pilones externos sob as asas.

Armamentos Futuros (Block 4)

O programa de modernização Block 4 está integrando novos armamentos:

MBDA Meteor: míssil ar-ar europeu de alcance estendido
AGM-88G AARGM-ER: míssil anti-radiação para destruir radares
AGM-158C LRASM: míssil anti-navio de longo alcance
SPEAR 3: míssil ar-solo de precisão
SiAW: nova arma para supressão de defesas

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

Tecnologia e Sistemas: O Cérebro Eletrônico

Se a furtividade é o corpo do F-35, a fusão de sensores é seu cérebro.

O F-35 não apenas detecta ameaças. Ele processa automaticamente informações de múltiplos sensores e apresenta tudo em uma única imagem unificada ao piloto.

Os Olhos do Caça

AN/APG-81 AESA Radar

Radar eletrônico de varredura ativa, sem partes móveis. Detecta múltiplos alvos simultaneamente, tanto no ar quanto no solo.

Solid-state, esperado durar 2x a vida do airframe. Opera em larga banda de frequência.

DAS (Distributed Aperture System)

Seis câmeras infravermelhas instaladas ao redor da fuselagem. Fornecem visão 360° em tempo real, projetada diretamente no capacete do piloto.

Detecta lançamento de mísseis e rastreia ameaças automaticamente.

EOTS (Electro-Optical Targeting System)

Sistema de busca e rastreamento infravermelho integrado na fuselagem. Permite identificação de alvos a longas distâncias sem emitir radiação detectável.

Fusão de Sensores

Aqui está a verdadeira revolução do F-35.

Todos esses sensores trabalham juntos, processando dados automaticamente. O piloto não vê informações fragmentadas de cada sensor.

Ele vê uma imagem única e integrada do campo de batalha.

Ameaças são identificadas, priorizadas e apresentadas automaticamente. O piloto pode focar em decisões táticas, não em processar dados.

Rede de Combate

O F-35 não opera sozinho. Ele se conecta a outros F-35s e ativos aliados através do MADL (Multi-function Advanced Data Link).

Essa rede permite:

Compartilhamento de alvos em tempo real
Coordenação automática de ataques
Criação de um “radar distribuído” entre múltiplas aeronaves

Um F-35 pode detectar um alvo e transmitir sua localização para outro F-35 a quilômetros de distância, que pode então atacar sem precisar usar seu próprio radar.

Aviônicos e Interface

SistemaFunção
Capacete HMDSDisplay integrado com visão através da aeronave
Display panorâmicoTela LCD grande atualizada pelo TR-3
Processador TR-3Capacidade computacional para década de 2030
Link-16Integração com forças de 4ª geração

Guerra Eletrônica

O AN/ASQ-239 Barracuda é o sistema de guerra eletrônica do F-35.

Ele detecta, classifica e localiza ameaças eletromagnéticas (radares inimigos, sistemas de mísseis). Pode então aplicar contramedidas digitais para confundir ou cegar esses sistemas.

Integrado à fusão de sensores, o sistema responde automaticamente a ameaças sem intervenção do piloto.

Automação

O F-35 incorpora automação significativa:

AGCAS (Automatic Ground Collision Avoidance System): previne colisões com o solo. Já salvou pelo menos 8 pilotos que perderam consciência ou orientação espacial.

Controles de voo inteligentes: o sistema interpreta comandos do piloto e ajusta automaticamente a aeronave. Por exemplo, sabe diferenciar quando o piloto quer desacelerar vs. apenas reduzir potência do motor.

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

Números e Realidade

F-35A (Força Aérea)

ParâmetroValor
Velocidade máximaMach 1.6 (1.200 mph)
Teto operacional15.000+ metros
Alcance (combustível interno)2.780 km
Raio de combate ar-ar1.410 km
Limite G+9.0 G
Peso vazio13.300 kg
Peso máx decolagem~31.750 kg

F-35B (Fuzileiros Navais)

ParâmetroValor
Velocidade máximaMach 1.6
Alcance1.670 km
Limite G+7.0 G
Peso máx decolagem~27.200 kg
Característica especialDecolagem curta e pouso vertical (STOVL)

F-35C (Marinha)

ParâmetroValor
Velocidade máximaMach 1.6
Alcance2.220 km
Raio de combate ar-ar1.580 km
Limite G+7.5 G
Característica especialReforçado para porta-aviões

O Que Esses Números Significam?

Velocidade Mach 1.6

Subsônica em comparação a caças de 4ª geração (F-15 e Typhoon chegam a Mach 2+). O F-35 sacrificou velocidade pura em favor de furtividade e sensores.

Alcance de 2.780 km

Suficiente para missões de penetração, mas inferior a alguns caças convencionais. Reabastecimento aéreo é frequentemente necessário para missões de longo alcance.

Limite +9G

Permite manobras táticas intensas. Mas existem restrições operacionais em certos regimes de voo devido a problemas aeroelásticos.

Wing loading alto (108 lb/sq ft)

Indica aerodinâmica menos ágil em combate visual próximo (dogfight). O F-35 não foi projetado para duelos aéreos clássicos, mas para engajamentos além do alcance visual.

Limitações de Desempenho

O F-35 tem restrições de velocidade documentadas em certos regimes de voo para evitar danos ao revestimento stealth e à estrutura.

Documentos de teste revelam fenômenos como “transonic roll-off” (queda de roll em regime transônico), que limitam a agilidade em determinadas velocidades.


Ficha Técnica

EspecificaçãoDetalhes
País de origemEstados Unidos
FabricanteLockheed Martin (principal)
ParceirosBAE Systems, Northrop Grumman
MotorPratt & Whitney F135 turbofan
Empuxo191 kN com pós-combustão
Peso vazio13.300 kg (F-35A)
Peso máx decolagem31.750 kg
Tripulação1 piloto
Ano introdução F-35B2015
Ano introdução F-35A2016
Ano introdução F-35C2019
Custo unitárioUS$ 81 a 109 milhões
Países operadores19 nações

Vantagens e Pontos Fortes: Por Que o F-35 é Temido

1. Furtividade Integral de 5ª Geração

O F-35 é praticamente invisível a radares convencionais. Com assinatura frontal de 0,005 m² em todos os ângulos frontais e laterais, ele pode penetrar em território com defesas aéreas avançadas (S-300, S-400) com risco significativamente reduzido.

Caças de 4.5ª geração (Typhoon, Rafale, Gripen) têm assinaturas centenas de vezes maiores.

2. Fusão de Sensores Revolucionária

A integração automática de múltiplos sensores (radar, IR, EOTS, DAS) em uma única imagem unificada é incomparável.

O piloto tem consciência situacional superior, reduzindo carga cognitiva e permitindo melhores decisões táticas.

3. Rede de Combate Integrada (MADL)

O F-35 não luta sozinho. Através do MADL, múltiplas aeronaves compartilham dados em tempo real, criando um “sistema de sensores distribuído”.

Isso multiplica a letalidade. Um F-35 pode detectar um alvo e transmitir para outro que está em posição de ataque, sem que o segundo precise usar seu radar.

4. Verdadeiro Multirole

A mesma aeronave executa superioridade aérea, ataque ao solo, supressão de defesas, guerra eletrônica e reconhecimento.

Sem necessidade de trocar pods ou reconfigurar sistemas. Isso simplifica operações e logística.

5. Padronização Global

Dezenove países operam o F-35 com a mesma plataforma base. Isso permite:

Interoperabilidade total em operações da OTAN
Simplificação de treinamento e logística
Economias de escala na produção

6. Capacidade de Upgrade Contínuo

Arquitetura modular permite atualizações via software e hardware incrementais. O programa Block 4 está adicionando mais de 75 novas capacidades sem redesenho estrutural.

7. Comprovação Operacional

Ao contrário de muitos sistemas “promissores”, o F-35 já foi usado em combate real por Israel, EUA e Reino Unido contra alvos na Síria, Iraque e contra ISIS.

Cenários de Eficácia Máxima

O F-35 brilha em:

Penetração aérea inicial contra defesas integradas modernas
Operações multinacionais da OTAN com interoperabilidade crítica
Primeiro dia de guerra quando contestação aérea é máxima
Ambientes onde sigilo é prioridade sobre agilidade em combate visual

Limitações e Críticas: Os Desafios do Caça Mais Caro

1. Custo Astronômico

US$ 2 trilhões ao longo de toda a vida operacional (até 2088).

ItemCusto
AquisiçãoUS$ 400-450 bilhões
Operação e manutençãoUS$ 1,5-1,6 trilhões
Total (64 anos)US$ 2 trilhões

É o programa militar mais caro da história.

2. Complexidade Logística

O F-35 exige infraestrutura especializada e manutenção complexa.

Revestimento stealth: extremamente sensível e caro de manter. Requer instalações climatizadas e técnicos altamente treinados.

Software: desenvolvimento e testes são o caminho crítico. Atrasos no Block 4 causaram paralisação de entregas por um ano (jul 2023 – jul 2024).

Reabastecimento aéreo obrigatório: para missões de longo alcance além de 2.780 km, dependência de tanquistas.

3. Problemas Técnicos Persistentes

Sobrecarga térmica

O motor e sistemas de resfriamento produzem calor excessivo durante certos regimes de voo. Reduz vida útil do engine. Correção requer upgrade não disponível antes de 2031.

Problemas aeroelásticos

Fenômeno de “wing drop” em regime transônico. Restrições operacionais impostas em certas velocidades para evitar flutter e danos.

Software Block 4 atrasado

Originalmente previsto para 2024, agora não esperado antes de 2031. Atraso de 7 anos. Custos aumentaram US$ 6 bilhões.

Imprecisão do canhão

O GAU-22/A tem problemas de acurácia documentados. Correção é lenta.

Capacidade limitada de armamentos internos

Historicamente limitado a 4 mísseis AIM-120 (vs. 6 no F-22). Adaptador Sidekick em desenvolvimento resolve isso, mas ainda não está totalmente integrado.

4. Disponibilidade Operacional Abaixo do Alvo

A taxa de “mission capable” (aeronaves prontas para missão) nunca atingiu a meta de 70%. Melhor caso documentado: 62%.

Caças de 4ª geração geralmente operam com 80% ou mais.

5. Desempenho em Dogfight

Wing loading alto (108 lb/sq ft) e ausência de supercruise (voo supersônico sem pós-combustão) limitam agilidade em combate visual próximo.

Em exercícios simulados, o F-35 perdeu repetidamente para caças convencionais em dogfights.

O contra-argumento: o F-35 foi projetado para nunca entrar em dogfight. Deve engajar e destruir adversários além do alcance visual.

6. Acidentes e Confiabilidade

Mais de 12 incidentes e crashes desde 2018 levantaram questões sobre confiabilidade de sistemas.

7. Vulnerabilidades de Cadeia de Suprimentos

Histórico de malware e ciberataques contra a cadeia de fornecimento levanta preocupações sobre integridade de componentes.

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

F-35 vs. Concorrentes

F-35A vs. Saab JAS 39E Gripen (Suécia)

AspectoF-35A
Velocidade máxMach 1.6
SupercruiseNão
StealthIntegral (0,005 m²)
Raio combate (ar-ar)1.410 km
Custo unitárioUS$ 81-109M
Interop OTANMADL + Link-16
AspectoGripen E/F
Velocidade máxMach 2.0
SupercruiseSim (Mach 1.2+)
StealthConvencional
Raio combate (ar-ar)2.400 km
Custo unitárioUS$ 65-70M
Interop OTANLink-16

Gripen leva vantagem em: agilidade (supercruise, rate of climb 15.000 m/min), custo inferior, alcance superior, desenvolvimento rápido de upgrades.

F-35 leva vantagem em: furtividade integral (crítica contra defesas integradas), fusão de sensores, MADL, padronização global com 19 operadores.

Nota: avaliação canadense (2021) deu ao F-35 nota 95% (57,1/60) em capacidades; Gripen recebeu 33% (19/60) na mesma métrica.

F-35A vs. Eurofighter Typhoon (Consórcio Europeu)

AspectoF-35A
Motorização1 turbofan
Velocidade máxMach 1.6
SupercruiseNão
Raio combate1.410 km
StealthIntegral
CustoUS$ 81-109M
AspectoTyphoon
Motorização2 turbofans
Velocidade máxMach 2.0+
SupercruiseSim (Mach 1.3+)
Raio combate2.570 km
StealthConvencional
CustoUS$ 130-140M+

Typhoon leva vantagem em: desempenho aerodinâmico (velocidade, alcance, agilidade), maturidade operacional (desde 2003).

F-35 leva vantagem em: furtividade, fusão de sensores, rede OTAN integrada, capacidades multirole comprovadas em combate.

F-35A vs. Dassault Rafale (França)

AspectoF-35A
Motorização1 turbofan
Velocidade máxMach 1.6
SupercruiseNão
Raio combate1.410 km
StealthIntegral
CustoUS$ 81-109M
AspectoRafale
Motorização2 turbofans
Velocidade máxMach 1.8-2.0
SupercruiseSim (Mach 1.4)
Raio combate1.850+ km
StealthParcial
CustoUS$ 95-100M

Rafale leva vantagem em: desempenho, independência operacional francesa, vendas de exportação bem-sucedidas (Índia, Egito, Grécia).

F-35 leva vantagem em: furtividade integral, rede multinacional, atualizações contínuas via Block 4/TR-3.

Síntese Comparativa

F-35 domina em: furtividade, sensores, rede integrada, padronização global.

Caças 4.5ª geração dominam em: desempenho aerodinâmico (velocidade, supercruise, alcance), agilidade em dogfight, autonomia operacional.

Trade-off fundamental: F-35 otimizado para penetração em ambientes de alta ameaça; caças europeus otimizados para operações em ar dominado com requisitos de desempenho cinético superiores.

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

Uso em Conflitos: Batismo de Fogo

Israel (F-35I “Adir”)

Israel foi a primeira nação a usar o F-35 em combate (2017-2019).

A Força Aérea Israelense conduziu strikes contra alvos sírios e iranianos, utilizando a furtividade do F-35 para penetrar defesas aéreas russas (sistemas S-300/S-400).

Israel negociou modificações locais no design do F-35, incluindo customizações stealth e integração de armamentos israelenses.

Estados Unidos (USMC, USAF)

USMC F-35B

Primeira operação em 2017 contra ISIS no Iraque e Síria. O F-35B operou de navios anfíbios, proporcionando apoio aéreo aproximado e strikes de precisão.

USAF F-35A

Deployments contínuos no Oriente Médio desde 2019. Em 2023, F-35As foram posicionados no Golfo Pérsico e Estreito de Ormuz como medida de dissuasão contra o Irã.

Operações contra remanescentes do ISIS incluem interdição aérea e reconhecimento.

Reino Unido (F-35B)

Primeira operação: 16 de junho de 2019, patrulha sobre a Síria (Operation Shader, anti-ISIS).

As duas primeiras missões foram de ISR (inteligência, vigilância, reconhecimento) e presença, sem engajamento.

O F-35B britânico opera do porta-aviões HMS Queen Elizabeth desde 2020, participando de exercícios de carrier strike.

Padrão de Emprego Tático

Em todas as operações até agora, o F-35 foi usado como enabler (facilitador) para caças de 4ª geração.

Penetração inicial: F-35s entram primeiro para limpar defesas aéreas.

Fusão de dados: sensores do F-35 detectam alvos e transmitem para caças convencionais (F-16, F/A-18, Typhoon), que podem então atacar sem expor seus próprios radares.

Letalidade expandida: a rede criada pelos F-35s eleva a eficácia de toda a frota.

Contexto Importante

Todas as operações documentadas ocorreram em ambientes de baixa ameaça aérea.

ISIS não possui caças ou defesa aérea integrada. Alvos sírios e iranianos têm defesas, mas não comparáveis a um adversário de primeira linha (Rússia, China).

O F-35 ainda não foi testado contra adversário com:

Caças modernos de 4ª/5ª geração
Sistemas de defesa aérea integrados tipo S-400/S-500
Guerra eletrônica avançada

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

Custo e Produção: O Programa de US$ 2 Trilhões

Produção Atual

PeríodoQuantidade
Total entregue (até 2024)1.050 aeronaves
Taxa de produção atual100-150 por ano
Meta futura (2027)156 por ano

Custos Unitários (2024)

VarianteCusto
F-35AUS$ 82,5 milhões
F-35BUS$ 109 milhões
F-35CUS$ 102,1 milhões
Motor F135US$ 20,4 milhões (separado)

Países Operadores (Principais)

PaísQuantidade
Estados Unidos2.456+ (todas variantes)
Japão147 (A/B)
Reino Unido138 (B)
Itália90 (A/B)
Austrália72 (A)
Canadá88 (A)
Coreia do Sul60 (A)
Noruega52 (A)
Países Baixos52 (A)

Outros operadores: Israel, Polônia, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Suíça, Romênia, Cingapura, Grécia.

Total global encomendado: aproximadamente 2.300+ aeronaves.

Futuro: Modernização Block 4 e Além

Block 4: O Upgrade do Século

O programa Block 4 promete adicionar mais de 75 novas capacidades ao F-35.

Principais Upgrades

Armamentos expandidos

Capacidade de 6 AIM-120s internos (adaptador Sidekick)
MBDA Meteor (míssil BVR europeu, F-35B a partir 2027)
AGM-88G AARGM-ER (supressão de defesas de longo alcance)
AGM-158C LRASM (anti-navio)
SPEAR 3, SiAW (em desenvolvimento)

Aviônicos e processamento

Technology Refresh-3 (TR-3): novo processador com capacidade massivamente expandida
Cockpit panorâmico atualizado
Memória e poder de processamento para capacidades até 2030s

Guerra eletrônica

Capacidades EW avançadas (jamming, spoofing digital)
Integração com ameaças emergentes

O Problema: Atrasos Severos

ItemDetalhes
Planejamento originalConclusão em 2024
Revisado (2025)Não antes de 2031
Atraso total7 anos
Custo adicional+US$ 6 bilhões

Razões dos atrasos:

Problemas no hardware TR-3
Testes de regressão complexos
Complexidade extrema do software

O atraso do TR-3 causou paralisação de entregas de julho de 2023 a julho de 2024. Novas aeronaves foram produzidas mas não podiam ser entregues sem o software atualizado.

Upgrade do Motor F135

O motor Pratt & Whitney F135 tem problema crônico de sobrecarga térmica.

ItemDetalhes
SoluçãoF135 Engine Core Upgrade (ECU)
DisponibilidadeNão antes de 2031
ConsequênciaFuturas capacidades Block 4 dependem deste upgrade
Possível atraso adicionalAté 2033 para capacidades pós-Block 4

Vida Útil Estendida

ItemDetalhes
AirframeProjetado para 8.000 horas de voo
Operação planejadaAté 2088 (vs. 2077 anterior)
Extensão11 anos adicionais
Custo adicionalUS$ 1,58 trilhões em manutenção

O F-35 continuará como backbone do combate aéreo ocidental até 2050+.

Substituto: NGAD

Não há substituto operacional imediato do F-35.

O programa NGAD (Next Generation Air Dominance) da USAF está em fase conceitual para 2030s-2040s.

NGAD será um “caça de sexta geração”, possivelmente incluindo:

Aeronaves opcionalmente tripuladas
Integração com drones autônomos
Capacidades de guerra eletrônica avançadas

Mas o F-35 permanecerá em serviço ao lado do NGAD por décadas.

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

1. O F-35 ainda está em uso?

Sim, e está em expansão. Mais de 1.050 aeronaves foram entregues até 2024, operadas por 19 países. O F-35 está autorizado para produção em larga escala e continuará sendo produzido até pelo menos 2030. Operacionalmente, deve permanecer em serviço até 2088.

2. O F-35 é o caça mais poderoso do mundo?

Depende do critério. Em furtividade, fusão de sensores e rede integrada, o F-35 lidera. Mas caças de 4.5ª geração (Typhoon, Rafale, Gripen) superam o F-35 em velocidade, alcance e agilidade. O F-22 Raptor americano ainda é superior em desempenho cinético puro (Mach 2.25, supercruise Mach 1.82) e em combate ar-ar, mas está aposentado da produção.

3. Quantos países operam o F-35?

19 países operam ou encomendaram o F-35: Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Países Baixos, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Polônia, Finlândia, Suíça, Canadá, Romênia, Israel, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Cingapura, Grécia e Alemanha (em negociação).

4. O F-35 já foi usado em guerra?

Sim. Israel usou o F-35I “Adir” em strikes contra alvos sírios e iranianos (2017-2019). Os EUA usaram F-35s contra ISIS no Iraque e Síria desde 2017. O Reino Unido operou F-35Bs em missões anti-ISIS na Síria desde 2019. No entanto, todas essas operações foram contra adversários sem capacidade aérea avançada.

5. Existe versão de exportação do F-35?

Não há uma “versão de exportação” reduzida. Todos os F-35s exportados são essencialmente idênticos aos usados pelos EUA, com pequenas customizações nacionais. Israel negociou modificações únicas em seu F-35I. O software pode ter algumas capacidades classificadas removidas para certos operadores, mas o hardware é o mesmo.

O Caça Mais Caro da História: Vantagens e Limitações do F-35

A Aposta de US$ 2 Trilhões

O F-35 Lightning II representa a maior aposta militar da história moderna.

Com US$ 2 trilhões investidos ao longo de sua vida operacional, o programa se tornou sinônimo de ambição tecnológica, mas também de controvérsia sobre custos e complexidade.

Importância Estratégica

O F-35 redefiniu o combate aéreo moderno. Pela primeira vez, uma única plataforma unifica capacidades de três forças militares diferentes (Força Aérea, Marinha, Fuzileiros Navais) e de 19 países.

Essa padronização global não tem precedentes. Cria interoperabilidade instantânea entre aliados da OTAN e parceiros, algo impossível com gerações anteriores de caças.

Impacto Militar

A furtividade integral do F-35, combinada com fusão de sensores e rede de combate integrada, estabeleceu um novo padrão para aeronaves de combate.

Caças de 4ª e 4.5ª geração, por mais avançados que sejam (Typhoon, Rafale, Gripen), simplesmente não conseguem competir em penetração de defesas aéreas integradas.

Em ambientes contestados contra adversários com S-300, S-400 ou sistemas similares, a furtividade do F-35 é uma vantagem decisiva.

Por Que Ele Continua Relevante

Apesar dos atrasos, custos e problemas técnicos, o F-35 permanece relevante porque:

Nenhum substituto existe: não há alternativa operacional com furtividade e fusão de sensores comparáveis.

Upgrades contínuos: arquitetura modular permite modernização sem redesenho (Block 4, TR-3).

Comprovação operacional: já usado em combate por três nações, demonstrando viabilidade prática.

Economia de escala: com 2.300+ aeronaves encomendadas, custos unitários caíram de US$ 221 milhões (Lote 1) para US$ 81 milhões (Lote 18).

Rede global: 19 operadores criam um “sistema de sistemas” interconectado, aumentando letalidade coletiva.

A Questão Não Respondida

O F-35 ainda não foi testado contra um adversário de primeira linha com:

Caças modernos de 5ª geração
Defesa aérea integrada de última geração
Guerra eletrônica avançada

Até que isso aconteça, permanece uma incerteza: o F-35 cumprirá suas promessas em conflito de alta intensidade contra Rússia ou China?

Por enquanto, a aposta de US$ 2 trilhões continua. E o F-35 Lightning II permanece como o caça mais avançado, mais caro e mais controverso já construído.

Foto de Joseli Lourenço

Joseli Lourenço

Pesquisadora independente de história e tecnologia militar, dedicada a documentar os marcos e as inovações que transformaram os campos de batalha.

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