F-39 Gripen: tudo sobre o caça da Força Aérea Brasileira

Conheça o Saab JAS 39 Gripen, caça multifunção sueco adotado pelo Brasil como F-39: história, tecnologia, radar AESA, sensores, armamento, especificações técnicas e comparação com seus principais concorrentes internacionais.

JAS 39 Gripen E/F

O Saab JAS 39 Gripen: o caça sueco que virou o novo F-39 da FAB

O que é o JAS 39 Gripen

O JAS 39 Gripen é um caça multifunção de origem sueca, fabricado pela Saab AB. A sigla JAS resume bem sua proposta: Jakt (caça), Attack (ataque) e Spaning (reconhecimento). Ou seja, é uma aeronave pensada para cumprir várias missões com a mesma plataforma — algo que reduz custos e simplifica a logística das forças aéreas que o operam.

No Brasil, o modelo ganhou a designação F-39 Gripen, adquirido pela Força Aérea Brasileira dentro do programa FX-2.

Origem e contexto histórico

O desenvolvimento começou na década de 1970, quando a Suécia buscava substituir os caças Saab 35 Draken e Saab 37 Viggen. O programa foi formalizado em 1980, e o primeiro protótipo voou em 1988. Depois de anos de testes e ajustes, a primeira geração (JAS 39A) entrou em serviço na Força Aérea Sueca em 1997.

Nos anos seguintes veio o JAS 39C/D, voltado à interoperabilidade e à exportação para países como Hungria, República Tcheca, Tailândia e África do Sul.

Do Gripen NG ao Gripen E/F

Em 2007, a Saab apresentou o conceito Gripen Demonstrator, que deu origem à geração mais avançada, o Gripen E/F. O Gripen E fez seu primeiro voo em 15 de julho de 2017 e entrou em serviço em 2021, segundo a ficha técnica consultada.

O Brasil formalizou a compra do Gripen E/F em 2014, dentro do programa FX-2, tornando-se, junto com a Suécia, um dos dois operadores confirmados dessa geração.

Design e tecnologia do Gripen E

O Gripen usa a clássica combinação de asa delta com canards dianteiros, um desenho associado a maior agilidade e capacidade de operar em pistas curtas. Na versão E, a fuselagem foi revisada para ampliar autonomia e comportar novos sistemas.

Motor F414

A propulsão fica por conta do turbofan General Electric F414-GE-39E, com 64 kN de empuxo sem pós-combustão e 98 kN com pós-combustão. Dados como vida útil do motor e custo por hora de voo não são divulgados oficialmente.

Radar AESA e sensor IRST

O Gripen E utiliza radar AESA (antena de varredura eletrônica ativa) montado em base giratória, geralmente identificado como Raven ES-05, produzido pela Leonardo. A aeronave também conta com sensor IRST, que detecta alvos por infravermelho de forma passiva. Alcance exato de detecção e outros parâmetros técnicos não são divulgados abertamente.

Guerra eletrônica e aviônicos

A Saab declara proteção eletrônica de 360 graus, sistemas de alerta de radar e de mísseis, contramedidas, chaff, flare e o pod de ataque eletrônico EAJP. Há ainda o LADM, um sistema de míssil interferidor citado pela fabricante. No cockpit, destacam-se o Wide Area Display (WAD), o visor montado no capacete (HMD), comandos HOTAS e fusão de dados entre sensores.

Armamento e capacidade ofensiva

O Gripen E possui 10 pontos externos de fixação. No combate ar-ar, a Saab cita a integração dos mísseis Meteor (longo alcance) e IRIS-T (curto alcance), com capacidade declarada de transportar até sete Meteor e dois IRIS-T em uma configuração voltada à superioridade aérea. No ataque ar-solo, são citadas bombas guiadas da família GBU/SDB e armamentos stand-off, além de pods de reconhecimento e designação de alvos.

Desempenho e especificações técnicas

EspecificaçãoValor
Velocidade máximaMach 2 (2.460 km/h)
Velocidade de cruzeiroMach 1,13 (1.400 km/h)
Teto operacional16.000 m
Alcance declarado4.000 km
Peso vazio8.000 kg
Peso máximo de decolagem16.500 kg
Envergadura8,6 m

A Saab também destaca a capacidade de operar a partir de rodovias ou aeródromos com pouco apoio de solo, com reabastecimento e rearmamento em menos de 15 minutos em missões ar-ar.

Uso em combate

O Gripen C/D já foi empregado em missões de policiamento aéreo e operações internacionais de vigilância, mas não há confirmação oficial de combate ar-ar ou lançamento de armas contra alvos hostis. Para o Gripen E/F, não foi encontrada nenhuma fonte que confirme emprego em combate real até o momento.

Variantes do Gripen

  • JAS 39A/B: primeira geração, monoposto e biposto, operada pela Suécia.
  • JAS 39C/D: versão de exportação, usada também por Hungria, República Tcheca, Tailândia e África do Sul.
  • JAS 39E: nova geração, monoposto, com radar AESA, IRST e motor F414. Suécia e Brasil.
  • JAS 39F: versão biposta da nova geração, em desenvolvimento no programa brasileiro.

Vantagens e desvantagens

Pontos fortes: radar AESA combinado a IRST e guerra eletrônica integrada; dez pontos externos de armamento; arquitetura voltada à operação dispersa e ao combate em rede; integração de mísseis modernos como Meteor e IRIS-T.

Pontos de atenção: ausência de histórico de combate confirmado para o Gripen E/F; dependência de um motor importado dos Estados Unidos; escala de produção menor do que a de alguns concorrentes diretos.

Gripen E/F vs F-16V: o concorrente direto

Entre os caças monomotores contemporâneos, o F-16V é o rival mais comparável ao Gripen E/F, já que ambos são plataformas de um só motor com forte ecossistema de exportação.

AspectoGripen E/FF-16V
OrigemSuéciaEstados Unidos
MotorF414-GE-39EF110 ou F100

Comparações de raio de combate, carga útil e disponibilidade real dependem de missão e configuração, por isso não é tecnicamente correto declarar uma aeronave “superior” de forma absoluta.

Curiosidades sobre o Gripen

  • A sigla JAS reúne as três funções suecas: caça, ataque e reconhecimento.
  • O radar AESA fica sobre uma base giratória, o que amplia o campo de busca.
  • A Saab cita a operação em trechos de rodovia de 16 m por 800 m como referência de dispersão.
  • O acordo de transferência de tecnologia com o Brasil já capacitou mais de 350 especialistas nacionais.

Impacto militar e tecnológico

O Gripen E/F representa uma aposta em sensores conectados, fusão de dados e guerra eletrônica integrada, mantendo o custo operacional como diferencial frente a caças bimotores. Para o Brasil, o programa também trouxe transferência de tecnologia relevante para a indústria aeroespacial nacional.

Perguntas frequentes

O Gripen E já entrou em combate?
Não há confirmação oficial de emprego em combate real para o Gripen E/F até o momento.

Qual a diferença entre Gripen E e Gripen F?
O Gripen E é monoposto; o Gripen F é a versão biposta, com dois tripulantes em tandem.

Qual radar o Gripen E utiliza?
Um radar AESA montado em base giratória, geralmente associado ao modelo Raven ES-05.

Quantos pontos de armamento o Gripen E tem?
Dez pontos externos de fixação, segundo a Saab.

Por que o Brasil escolheu o Gripen?
O programa FX-2 selecionou o Gripen E/F, que passou a ser designado F-39, incluindo acordo de transferência de tecnologia para a indústria brasileira.

Veredito

O JAS 39 Gripen E/F é um caça multifunção moderno, com forte ênfase em sensores, fusão de dados e guerra eletrônica, além de custo operacional competitivo. Ainda carece de histórico de combate confirmado, mas representa um salto tecnológico relevante para Suécia e Brasil, unindo capacidade militar a ganhos industriais concretos para a base aeroespacial nacional.

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Joseli Lourenço

07/20/2026

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