
Blindagem Dorchester, canhão raiado e chá quente na batalha: o Challenger 2 ficou 25 anos invicto até ser destruído na Ucrânia, em 2023.

O Challenger 2 é o principal carro de combate do Reino Unido desde 1998, conhecido pela blindagem Dorchester e por um detalhe raro entre os tanques ocidentais: ele ainda usa canhão raiado.
Fabricado originalmente pela Vickers Defence Systems, hoje parte da BAE Systems, o veículo carrega a designação oficial FV4034 e opera também nos exércitos de Omã e, mais recentemente, da Ucrânia.
O Challenger 2 nasceu para corrigir os problemas do Challenger 1, especialmente falhas no sistema de controle de fogo.
A Vickers começou o desenvolvimento por conta própria entre 1986 e 1989. O Ministério da Defesa britânico só fechou o pedido formal em 1991, preferindo o projeto nacional a alternativas como o M1 Abrams e o Leopard 2.
A produção em massa arrancou em 1993, e o tanque entrou em serviço ativo em 1998.
Na Guerra do Iraque, em 2003, o Challenger 2 mostrou uma proteção blindada fora da curva.
Um dos episódios mais citados envolve um exemplar que sobreviveu a múltiplos impactos de RPGs e mísseis MILAN perto de Basra, sem a blindagem ser perfurada.
A única baixa do período foi um incidente de fogo amigo, quando outro Challenger 2 acertou a escotilha do comandante com munição HESH.
O tanque pesa 62,5 toneladas em configuração padrão, podendo passar de 75 toneladas com o pacote de blindagem TES (Theatre Entry Standard).
Ele é movido por um motor diesel Perkins CV12-6A de 1.200 cavalos, atingindo até 59 km/h em estrada. O alcance operacional chega a 550 km.
O armamento principal é o canhão 120 mm L30A1, raiado, carregado manualmente e com capacidade para 49 munições.
Porque esse tipo de canhão é o único capaz de disparar munição HESH com eficiência total.
A munição HESH (cabeça de esmagamento de alto explosivo) é devastadora contra fortificações e veículos blindados mais antigos, algo que os canhões de alma lisa (smoothbore) usados por Abrams e Leopard 2 não replicam da mesma forma.
Essa escolha, porém, isola o Challenger 2 da munição APFSDS padrão da OTAN.
A blindagem Dorchester é o principal trunfo do tanque, com resistência comprovada contra ataques múltiplos.
Outros pontos fortes incluem o sistema hunter-killer, que permite ao comandante localizar alvos independentemente do artilheiro, e o armazenamento segregado de munição, que reduz o risco de explosão interna.
As limitações pesam do lado da mobilidade. O motor de 1.200 hp rende menos que os 1.500 hp dos rivais, e o peso extremo compromete o desempenho em solo macio, como visto na Ucrânia.
Depende do critério: em blindagem passiva, o Challenger 2 é referência; em mobilidade, o Abrams leva vantagem.
| Característica | Challenger 2 | M1A2 Abrams |
|---|---|---|
| Motor | Diesel, 1.200 hp | Turbina a gás, 1.500 hp |
| Velocidade máxima | 59 km/h | 68 km/h |
| Canhão | 120 mm raiado | 120 mm alma lisa |
O Abrams compartilha munição padrão da OTAN com o Leopard 2, algo que o Challenger 2 não faz por causa do canhão raiado.
Bem na proteção da tripulação, mas exigente em termos de terreno.
O tanque chegou à Ucrânia em 2023, como parte de uma doação de 14 unidades do Reino Unido. As tripulações elogiaram os sistemas ópticos e a blindagem, mas o peso alto trouxe dificuldades no solo encharcado da rasputitsa.
Em setembro de 2023, perto de Robotyne, um Challenger 2 foi incapacitado e depois destruído, marcando a primeira perda confirmada do modelo para fogo inimigo direto. A tripulação sobreviveu.
O Challenger 2 já foi destruído em combate?
Sim, uma vez, na Ucrânia, em setembro de 2023, perto de Robotyne.
Por que o Challenger 2 tem um sistema para ferver água?
O Boiling Vessel permite à tripulação preparar chá e rações sem sair do veículo, mantendo o moral durante operações longas.
O Challenger 2 vai ser substituído?
Não totalmente. O programa Challenger 3 vai modernizar cerca de 148 unidades, trocando o canhão raiado por um de alma lisa da Rheinmetall.
Qual é o maior ponto fraco do Challenger 2?
O peso elevado, que prejudica a mobilidade em terrenos moles e a travessia de pontes mais antigas.
O Challenger 2 entrega uma das blindagens mais confiáveis do mundo ocidental, testada em combate real por mais de duas décadas.
Sua limitação está na mobilidade e na munição incompatível com a OTAN. O programa Challenger 3 tenta resolver justamente isso, trocando o canhão raiado por um de alma lisa moderno.

08/12/2026