
O T-90M Proryv é o principal tanque russo em serviço. Blindagem Relikt, canhão de 125 mm e sistema Arena-M — mas com vulnerabilidades expostas na guerra.

O T-90M “Proryv” é o carro de combate principal (MBT) mais moderno em serviço no Exército russo. Desenvolvido pela Uralvagonzavod, parte da estatal Rostec, ele representa a evolução direta do T-90 original — que, por sua vez, veio do T-72BU. O nome “Proryv” significa “avanço” ou “ruptura” em russo, uma referência ao salto tecnológico que o projeto buscava entregar.
Revelado em 2017, o T-90M só entrou efetivamente em serviço entre 2020 e 2021, quando os primeiros lotes de produção foram entregues ao Exército russo. O objetivo do programa era corrigir deficiências identificadas no T-90A, como blindagem defasada e eletrônica ultrapassada, unificando a frota blindada russa em um padrão mais moderno.
Diferente das torres fundidas dos primeiros T-90, o T-90M recebeu uma torre inteiramente soldada, o que permite melhor distribuição de peso e facilita a instalação de blindagem adicional. A proteção principal vem da blindagem composta combinada com o sistema reativo explosivo (ERA) de terceira geração, conhecido como Relikt, projetado para neutralizar ogivas HEAT e munições em tandem.
Para mirar, o tanque usa a mira multicanal Sosna-U (atirador) e a mira panorâmica PK PAN (comandante), permitindo operação no modo “hunter-killer” — ou seja, o comandante pode localizar um alvo enquanto o atirador já mira outro, com câmera térmica capaz de detectar alvos a até 3.300 metros. Todo o controle de tiro é gerenciado pelo sistema digital Kalina.
Na parte defensiva, o T-90M conta ainda com o sistema de contramedidas Shtora-1, que interfere em lasers e mísseis guiados (soft-kill). Já os lotes mais recentes, produzidos entre 2024 e 2026, passaram a incorporar o sistema Arena-M, um mecanismo hard-kill com radar Doppler de 360° capaz de detectar ameaças e disparar contramunições em apenas 0,07 segundo — inclusive contra pequenos drones FPV, após atualizações de software.
O armamento principal é o canhão de alma lisa 2A46M-5, de 125 mm, com carregador automático e capacidade para 43 cartuchos. Uma característica marcante é a possibilidade de disparar mísseis guiados antitanque (ATGM) 9M119 Refleks diretamente pelo cano do canhão, com alcance de até 5.000 metros — permitindo engajar alvos além do alcance visual típico de projéteis convencionais.
Como armamento secundário, o tanque leva uma metralhadora coaxial PKMT de 7,62 mm e, em estação remota, uma metralhadora pesada NSVT ou Kord de 12,7 mm.
| Item | Valor |
|---|---|
| Peso | 48 a 51 toneladas |
| Tripulação | 3 (comandante, atirador, motorista) |
| Motor | Diesel V-92S2F, 1.130 hp |
| Velocidade | 60 a 70 km/h (estrada) |
| Autonomia | 500 a 550 km |
| Armamento principal | Canhão 125 mm 2A46M-5 |
Com relação potência-peso de cerca de 22 a 23,5 hp/t, o T-90M tem boa mobilidade em terrenos lamacentos, mas mantém uma limitação histórica dos blindados soviéticos: a marcha à ré é lenta, o que prejudica táticas de “atirar e recuar”.
É no conflito iniciado em 2022 que o T-90M teve seu teste mais duro. Apesar de ser apresentado como o blindado mais avançado da Rússia, o tanque registrou perdas significativas em combate, especialmente na região de Kharkiv. Segundo o rastreador de código aberto Oryx, mais de 155 unidades do T-90M haviam sido confirmadas como perdidas até meados de 2026.
A principal vulnerabilidade identificada está no teto da torre e no compartimento do motor, pontos frágeis contra drones kamikazes (FPV), munições loitering e mísseis de ataque superior, como o Javelin. Além disso, o sistema de armazenamento de munição em carrossel — herdado do T-72 — continua sujeito à detonação catastrófica quando o blindado é penetrado, fenômeno conhecido como “jack-in-the-box”, em que a torre é lançada para longe do chassi.
Como resposta, a Rússia acelerou a instalação de gaiolas anti-drone improvisadas (“cope cages”) e, mais recentemente, do sistema Arena-M com software voltado à interceptação de FPVs.
O concorrente direto mais citado do T-90M é o M1 Abrams americano (e também o Leopard 2 alemão). As diferenças são marcantes:
| Aspecto | T-90M | M1 Abrams |
|---|---|---|
| Peso | 48-51 t | 65-70+ t |
| Altura | 2,23 m | ~2,5-3 m |
O T-90M leva vantagem em mobilidade — é mais leve e mais baixo, o que reduz a assinatura visual e facilita cruzar pontes civis de menor capacidade. Por outro lado, o Abrams isola a munição em compartimentos com painéis blow-off, aumentando a sobrevivência da tripulação em caso de penetração, algo que o T-90M não possui de forma equivalente.
Pontos fortes: blindagem Relikt eficiente no arco frontal, perfil baixo, capacidade de disparar mísseis guiados a longa distância, custo unitário mais baixo (cerca de US$ 4,5 milhões) e boa mobilidade em solo instável.
Pontos fracos: armazenamento de munição perigoso, alta vulnerabilidade a ataques por drones FPV e munições top-attack, marcha à ré lenta, e sensores ópticos afetados por sanções internacionais que dificultam a cadeia de suprimentos.
Um dos dados mais citados sobre o conflito é que drones FPV de cerca de US$ 300 foram repetidamente registrados neutralizando um tanque avaliado em US$ 4,5 milhões — uma desproporção que resume boa parte dos debates sobre guerra blindada moderna. Outra curiosidade técnica: a instalação do Arena-M obrigou a Uralvagonzavod a deslocar os lançadores de granadas de fumaça, antes embutidos no perfil da torre, para áreas mais expostas.
O T-90M é o tanque mais moderno da Rússia?
Sim, é o principal MBT em serviço ativo do Exército russo atualmente.
Qual a diferença entre o T-90M e o T-90A?
O T-90M tem torre soldada, blindagem Relikt, sistema Kalina e eletrônica mais moderna, corrigindo deficiências do T-90A.
O T-90M tem sistema de defesa contra mísseis?
Sim, os lotes mais recentes contam com o Arena-M, um sistema hard-kill que intercepta projéteis a 50 metros de distância.
Quantos T-90M já foram perdidos na guerra?
Segundo o Oryx, mais de 155 unidades foram confirmadas como perdidas até meados de 2026.
O T-90M pode disparar mísseis pelo canhão?
Sim, ele dispara o míssil guiado 9M119 Refleks pelo cano do canhão principal, com alcance de até 5 km.
O T-90M reúne blindagem reativa avançada, eletrônica moderna e capacidade ofensiva de longo alcance, sendo competitivo em mobilidade frente a rivais ocidentais mais pesados. Contudo, seu sistema de munição vulnerável e a fragilidade no teto o tornam alvo recorrente de drones baratos, expondo um contraste severo entre custo, tecnologia e sobrevivência real em campo de batalha.

08/04/2026