Supermanobrável e Letal: Por Que o Su-35 Flanker-E Assusta o Ocidente

O Su-35 Flanker-E é o caça multifunção mais avançado da família Sukhoi, temido pelo Ocidente por sua supermanobrabidade, radar Irbis-E e arsenal devastador. Conheça tudo sobre ele.

Su-35 Flanker-E

Su-35 Flanker-E: O Caça Russo Que Desafia a Superioridade Aérea Ocidental

O Su-35 Flanker-E é, hoje, um dos caças mais respeitados e temidos do planeta. Desenvolvido pela Sukhoi, empresa russa com décadas de experiência em aviação de combate, ele representa o ponto mais alto da evolução da família Su-27 — linha criada justamente para rivalizar com o americano F-15 Eagle. Com motores de vetorização de empuxo, radar de longo alcance e arsenal extenso, o Su-35 é classificado como caça de geração 4++, um patamar entre a 4ª e a 5ª geração, capaz de desafiar aeronaves modernas sem abrir mão da confiabilidade de um projeto comprovado.

De Projeto Soviético a Arma da Rússia Moderna

Origem: Um Filho Direto do Su-27

A história do Su-35 começa ainda na Guerra Fria. No final dos anos 1970, a União Soviética desenvolveu o Su-27 “Flanker” como resposta direta ao F-15 Eagle americano. O avião foi um sucesso — ágil, rápido e com grande alcance de combate. Mas a tecnologia avançou, e a Sukhoi precisava ir além.

No fim dos anos 1980, teve início o desenvolvimento de uma versão radicalmente aprimorada, inicialmente chamada de Su-27M. O nome Su-35 surgiu oficialmente em 1993, e o projeto passou por quase duas décadas de desenvolvimento, testes e revisões profundas antes de chegar ao modelo definitivo.

O Su-35S: A Versão de Combate Final

O Su-35S — versão de produção e a mais importante — foi formalmente adotado pela Força Aérea Russa em 2014. A letra “S” vem do russo Stroyevoy, que significa “de combate”. Antes disso, versões intermediárias como o Su-35BM serviram como demonstradores de tecnologia. Foram produzidas entre 130 e 151 unidades no total, dependendo da fonte consultada.


Design, Tecnologia e Eletrônica de Bordo

O Radar Irbis-E: Olhos que Enxergam Longe

O coração eletrônico do Su-35 é o radar Irbis-E, um sistema de matriz de fases passiva (PESA) desenvolvido pelo instituto Tikhomirov NIIP. Ele rastreia até 24 alvos simultaneamente a distâncias de até 100 km sobre terreno irregular. É um radar muito capaz — embora, segundo análises técnicas ocidentais, ainda fique abaixo dos modernos sistemas AESA (matriz de fase ativa) usados no F-15EX e no F-22.

Além do radar frontal, o Su-35 possui um radar traseiro instalado no característico “ferrão” na cauda, herança do Su-27, dando ao piloto consciência situacional em 360 graus.

Detecção Infravermelha: O IRST OLS-35

O sistema OLS-35 é um sensor infravermelho que detecta e rastreia aeronaves sem emitir nenhum sinal de radar, tornando a abordagem do Su-35 muito mais discreta. Esse é um dos pontos em que o caça russo leva vantagem sobre versões mais antigas do F-15, embora upgrades americanos como o Legion Pod busquem compensar essa diferença.

Guerra Eletrônica: O Diferencial Silencioso

O sistema Khibiny é uma das armas menos discutidas, mas mais temidas do Su-35. Ele interfere nos sistemas de guiamento de mísseis inimigos, dificultando muito um acerto com armamento convencional. Análises especializadas sugerem que o sistema pode comprometer o desempenho de mísseis como o AIM-120 AMRAAM americano em determinados cenários de combate.

Supermanobrabidade: A Arte de Dobrar a Física

Os motores Saturn AL-41F1S com vetorização de empuxo tridimensional são o que tornam o Su-35 único entre os caças de 4ª geração. Eles redirecionam o fluxo dos gases de escapamento para qualquer direção, permitindo manobras impossíveis para aeronaves convencionais — como a famosa Cobra de Pugachev e giros praticamente no próprio eixo. Cada motor entrega cerca de 32.000 lbf de empuxo com pós-combustão.

O cockpit foi completamente modernizado, com telas multifunção coloridas, HUD (visor de capacete) e controle fly-by-wire digital com quádrupla redundância — ou seja, o computador de voo possui quatro formas independentes de executar cada comando, garantindo confiabilidade máxima mesmo em situações críticas.

Su-35 Flanker-E

Armamento: Letal do Ar ao Solo

O Su-35 possui 14 pontos de fixação externos e pode carregar até 8.000 kg de armamento. Seu canhão interno é o GSh-30-1 de 30mm, com 150 projéteis, ideal para engajamentos de curta distância.

Para missões ar-ar:

  • R-73 — curto alcance, altamente manobável

  • R-77 — médio alcance, equivalente ao AIM-120 americano

  • R-27 — longo alcance

  • R-37M — alcance extremo, projetado para abater aeronaves de apoio como AWACS e tanques voadores

Para missões ar-solo e anti-navio:

  • Mísseis Kh-29, Kh-31, Kh-35 e Kh-59

  • Bombas guiadas a laser e por GPS


Especificações Técnicas

CaracterísticaDado
Comprimento21,9 m
Envergadura15,3 m
Peso máximo de decolagem34.500 kg
Velocidade máximaMach 2,25 (~2.400 km/h)
Alcance operacionalaté 4.500 km
Teto de serviço18.000 m
Tripulação1 piloto
Pontos de armamento14

Su-35 em Combate Real

Síria: O Campo de Provas

Em 2016, após a derrubada de um Su-24 russo por caças turcos, a Rússia enviou Su-35S à Síria. Lá, o caça operou em missões de superioridade aérea e serviu como demonstração de poder — sinalizando ao Ocidente e a potenciais compradores as reais capacidades da aeronave em ambiente de combate.

Ucrânia: O Teste Mais Duro

Desde 2022, o Su-35S é uma das aeronaves mais utilizadas pela Rússia no conflito com a Ucrânia. Registros abertos confirmam múltiplos abates: o primeiro Su-35 perdido foi confirmado em abril de 2022, próximo a Izyum. Outras perdas foram documentadas em 2023, 2024 e 2025. Grande parte dos abates é atribuída ao uso de sistemas de defesa aérea de origem ocidental entregues à Ucrânia.


Su-35 vs F-15EX: O Duelo da 4ª Geração

CritérioSu-35 Flanker-EF-15EX Eagle II
RadarIrbis-E (PESA)APG-82 (AESA)
ManobrabidadeSuperior (vetorização de empuxo)Alta, mas inferior
Carga máxima de mísseis ar-arAté 12Até 22 AIM-120

O F-15EX leva vantagem clara em radar AESA e capacidade de carga de mísseis. O Su-35 se destaca na manobrabidade extrema e na guerra eletrônica. Especialistas concordam que os dois caças são amplamente equivalentes na prática — o que por si só já é notável, considerando que o F-15 existe desde os anos 1970.

Su-35 Flanker-E

Variantes do Su-35

  • Su-35S — versão de produção da Força Aérea Russa; a mais avançada e operacional

  • Su-35BM — demonstrador de tecnologia anterior ao Su-35S; não foi produzido em massa

  • Su-35UB — variante de treinamento biposto; ficou apenas na fase de protótipo

  • Su-35K — versão de exportação com opções de personalização de aviônicos

Quem Opera o Su-35

A Rússia é o principal operador, com dezenas de unidades em serviço ativo. A China foi o primeiro cliente estrangeiro, recebendo 24 aeronaves entre 2016 e 2018. Indonésia, Egito e Irã demonstraram interesse ao longo dos anos, mas os acordos não se concretizaram — em parte por pressões diplomáticas e sanções internacionais relacionadas ao conflito na Ucrânia.

Vantagens e Desvantagens

Pontos fortes:

  • Supermanobrabidade incomparável entre caças de 4ª geração

  • Sistema de guerra eletrônica Khibiny de classe mundial

  • Sensor IRST para detecção totalmente passiva

  • Grande autonomia de voo (até 4.500 km)

  • Arsenal extremamente variado para múltiplas missões

Pontos fracos:

  • Radar PESA fica abaixo dos sistemas AESA ocidentais modernos

  • Sem furtividade real — não é um avião de 5ª geração

  • Mercado de exportação bastante limitado por sanções e pressões políticas

Curiosidades Sobre o Su-35

  • Em condições de baixo carregamento, o Su-35 consegue manter velocidade supersônica sem acionar os pós-combustores — uma façanha rara em caças de sua categoria

  • A famosa manobra Cobra de Pugachev, popularizada pelo Su-27, atinge novos extremos com o Su-35 graças à vetorização de empuxo

  • Em sua estreia no Salão de Paris de 2013, o Su-35 foi a grande atração do primeiro dia, impressionando especialistas e pilotos ocidentais presentes

  • A Rússia esperava vender o Su-35 para Brasil, Índia, Indonésia e Egito — nenhum desses negócios se consolidou plenamente

Su-35 Flanker-E

Frequently Asked Questions

1. O Su-35 é um avião de 5ª geração?
Não. Ele é classificado como 4++ geração — muito avançado para um caça de 4ª geração, mas sem furtividade real, característica essencial da 5ª geração.

2. O Su-35 consegue detectar inimigos sem ligar o radar?
Sim. O sensor OLS-35 detecta o calor de outras aeronaves de forma totalmente passiva, sem emitir sinais que possam ser rastreados pelo adversário.

3. Quantos Su-35 a Rússia perdeu na Ucrânia?
Registros públicos confirmam ao menos seis Su-35 perdidos entre 2022 e 2025, por diversas causas, incluindo mísseis de defesa aérea ocidentais.

4. O Su-35 pode atacar alvos terrestres?
Sim. Apesar de ser primariamente um caça de superioridade aérea, ele carrega grande variedade de bombas guiadas e mísseis ar-solo para missões multifunção.

5. Qual é o concorrente direto do Su-35?
O F-15EX Eagle II americano é seu par mais direto — ambos são caças pesados de 4ª geração avançada, multifunção e de altíssimo desempenho.

Veredito

O Su-35 Flanker-E é um caça extraordinário: ágil como poucos, bem armado e com guerra eletrônica de classe mundial. Seu maior ponto fraco é o radar, inferior aos sistemas AESA ocidentais modernos. Ainda assim, representa uma ameaça real e comprovada em combate — e segue sendo uma das aeronaves mais capazes do mundo na categoria 4ª geração avançada.

Foto de Joseli Lourenço

Joseli Lourenço

06/29/2026

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