
O F/A-18 Super Hornet é o principal caça embarcado da Marinha dos EUA. Versátil, poderoso e em constante evolução, ele opera há décadas em conflitos reais e segue sendo referência na aviação militar mundial.

O F/A-18 Super Hornet é um caça multifunção desenvolvido pela Boeing para operar a partir de porta-aviões. Capaz de realizar missões de ataque ao solo, interceptação aérea, supressão de defesas inimigas e reconhecimento, ele é um dos aviões de combate mais versáteis em serviço no mundo hoje.
A Marinha dos Estados Unidos o opera desde 1999. Apesar de todo o investimento no F-35C — o caça de quinta geração que era para substituí-lo — o Super Hornet continua voando, continua sendo modernizado e, por enquanto, não tem data definitiva de aposentadoria.
Isso já diz muito sobre a máquina.
O F/A-18 Super Hornet não surgiu do zero. Ele é uma evolução direta do F/A-18 Hornet original, desenvolvido nos anos 1970 pela McDonnell Douglas — empresa que seria absorvida pela Boeing em 1997.
O Hornet original era bom, mas tinha limitações sérias: alcance reduzido, capacidade de carga moderada e aviónica que envelheceu rápido. No início dos anos 1990, a Marinha dos EUA cancelou o programa A-12 Avenger II — um caça furtivo que deveria substituir o antigo A-6 Intruder — por atrasos e estouros de orçamento. A saída encontrada foi redesenhar o Hornet de forma mais radical.
O resultado foi um avião 25% maior, com fuselagem totalmente reprojeitada, asas mais largas, motores mais potentes e muito mais espaço para combustível e armamento. O Super Hornet fez seu primeiro voo em novembro de 1995 e entrou em serviço operacional na Marinha em 1999.
Quando a fusão com a McDonnell Douglas aconteceu, a Boeing assumiu o programa. Hoje, o Super Hornet é produzido na fábrica de St. Louis, no Missouri — a mesma cidade onde o Hornet original também foi fabricado.

O Super Hornet tem uma configuração de asa em delta com extensões de raiz de asa (LEX — Leading Edge Extensions), que melhoram a manobrabilidade em velocidades baixas e médias. Isso é essencial para operações em porta-aviões, onde o avião precisa pousar devagar em um espaço curtíssimo.
Os motores são dois General Electric F414-GE-400, turbofans com pós-combustão que entregam cerca de 98 kN de empuxo cada. Isso garante velocidade máxima de aproximadamente Mach 1,8 — quase 1.900 km/h.
O Super Hornet carrega o radar AN/APG-79 AESA (Active Electronically Scanned Array), uma evolução importante em relação aos radares mecânicos mais antigos. Esse radar consegue rastrear múltiplos alvos simultaneamente, operar em modo de mapeamento de terreno e tem maior resistência a interferências eletrônicas.
Além do radar, o avião pode ser equipado com o pod ATFLIR (Advanced Targeting Forward Looking Infrared), que permite identificar e engajar alvos no solo com alta precisão, mesmo à noite ou em condições de baixa visibilidade.
A cabine usa displays multifunções e um sistema HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que permite ao piloto controlar as principais funções sem tirar as mãos dos comandos de voo. Isso reduz a carga cognitiva em combate — um fator crítico.
Uma variante eletrônica do Super Hornet merece menção especial: o EA-18G Growler. É uma aeronave de guerra eletrônica que substitui parte do armamento convencional por sistemas de jamming — equipamentos que bloqueiam radares e comunicações inimigas. É o único avião do tipo em serviço na Marinha dos EUA atualmente.
O F/A-18 Super Hornet tem 11 pontos de fixação externos (hardpoints) onde pode carregar uma variedade enorme de armamentos:
Ar-ar:
Ar-solo:
Além disso, o avião tem um canhão interno M61A2 Vulcan de 20 mm com 578 projéteis — uma arma rotativa de alta cadência de tiro para combate aéreo próximo.
A carga máxima de armamento é de aproximadamente 8.000 kg, o que coloca o Super Hornet em uma categoria de capacidade de ataque muito elevada para um caça embarcado.

O Super Hornet estreou em combate em 2001, durante a Operação Liberdade Duradoura, no Afeganistão. Depois, participou da invasão do Iraque em 2003 e de operações posteriores contra o Estado Islâmico a partir de 2014.
Nos conflitos no Oriente Médio, o avião realizou missões de ataque de precisão, escolta de aeronaves e supressão de defesas antiaéreas. Seu desempenho foi amplamente considerado satisfatório pelos operadores.
A Austrália também opera o Super Hornet — comprou 24 unidades como medida de transição enquanto aguardava a chegada do F-35A para a RAAF (Real Força Aérea Australiana).
| Característica | F/A-18 Super Hornet | F-35C |
|---|---|---|
| Geração | 4ª/4,5ª | 5ª |
| Furtividade | Baixa | Alta |
| Custo por hora de voo | ~US$ 11.000 | ~US$ 35.000 |
O F-35C é tecnologicamente superior em furtividade e fusão de sensores. Mas o Super Hornet custa muito menos para operar, é mais fácil de manter e carrega mais armamento externamente. Em um cenário de conflito de alta intensidade e longa duração, essa diferença de custo operacional é muito relevante.
F/A-18E — versão monoposto (um piloto), a mais comum.
F/A-18F — versão biposto (dois tripulantes), usada também para treinamento e missões com operador de sistemas de armas.
EA-18G Growler — variante de guerra eletrônica derivada do F/A-18F.
Block III — modernização em andamento com cockpit digital aprimorado, maior capacidade de rede e tanques conformais que aumentam o alcance sem sacrificar os hardpoints externos.
| Item | Dado |
|---|---|
| Comprimento | 18,38 m |
| Envergadura | 13,62 m |
| Peso máximo de decolagem | ~29.937 kg |
| Velocidade máxima | Mach 1,8 (~1.900 km/h) |
| Alcance em combate | ~740 km (sem reabastecimento) |
| Teto operacional | 15.240 m |
| Motores | 2× GE F414-GE-400 |
Pontos fortes:
Limitações:

O F/A-18 Super Hornet ainda é fabricado?
Sim. A Boeing segue produzindo unidades e desenvolvendo a versão Block III para a Marinha dos EUA.
Qual é a diferença entre o F/A-18 Hornet e o Super Hornet?
O Super Hornet é maior, mais pesado, tem motores mais potentes e aviónica mais moderna. São aviões diferentes que compartilham o nome.
O Brasil opera o Super Hornet?
Não. A FAB opera o Gripen NG sueco. O Super Hornet foi avaliado na concorrência FX-2, mas perdeu para o Gripen em 2013.
Qual é o custo de um F/A-18 Super Hornet?
Aproximadamente US$ 67 milhões por unidade (valor de referência — pode variar com configuração e contratos).
O Super Hornet vai ser substituído pelo F-35?
Parcialmente. O F-35C está sendo integrado à frota naval americana, mas o Super Hornet deve seguir em serviço até pelo menos a década de 2030.
O F/A-18 Super Hornet é a prova de que evolução bem executada vale mais do que substituição a qualquer custo. Versátil, confiável e em constante atualização, ele permanece relevante em uma era dominada por caças de quinta geração. Não é o mais furtivo nem o mais tecnológico — mas é altamente eficaz, operacionalmente provado e muito mais barato de manter. Para a Marinha dos EUA, isso ainda faz toda a diferença.

06/25/2026